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Copa » BH terá desafios de comunicação com turistas latino-americanos Capital mineira irá receber milhares de torcedores de seleções latino-americanas que passarão pela região na Copa e de times adversários de Galo e Cruzeiro na Libertadores. Estrangeiros que vivem em Minas elogiam hospitalidade, mas preveem problemas de comunicação

Estado de Minas

Publicação: 12/01/2014 08:23 Atualização:

Argentinos, uruguaios, chilenos, colombianos... Em 2014, o futebol fará Belo Horizonte ser invadida por torcedores de vários países latino-americanos. Eles começam a chegar no próximo mês, quando Atlético e Cruzeiro iniciam a disputa da Copa Libertadores. E o número de estrangeiros aumentará em junho e julho, durante a Copa do Mundo: BH e cidades próximas foram escolhidas para ser locais de concentração das seleções de Argentina, Chile e Uruguai, e o Mineirão será palco de três partidas com equipes de língua espanhola. Com tantas pessoas falando castelhano, autoridades admitem que será um desafio para a cidade fazer do espanhol uma espécie de segunda língua. Sul-americanos que vivem em BH concordam. Para eles, compatriotas vão apreciar a hospitalidade mineira, mas podem estranhar hábitos e ter dificuldade para se comunicar – mesmo em pontos turísticos, não é fácil achar atendentes fluentes no idioma e nem sempre o portunhol resolve.

Na primeira fase da Libertadores, o Atlético enfrentará Nacional (Paraguai) e Zamora (Venezuela). O terceiro adversário, ainda indefinido, será mexicano ou colombiano. Já o Cruzeiro jogará contra Defensor (Uruguai), Real Garcilaso (Peru) e um concorrente chileno ou paraguaio. Mais adiante, no Mundial, a seleção comandada pelo atacante Lionel Messi se concentrará na Cidade do Galo, em Vespasiano, Região Metropolitana de BH. O Uruguai ficará em Sete Lagoas, também na Grande BH, e o Chile treinará na Toca da Raposa II, na Pampulha. Na fase de grupos do torneio, em junho, o Mineirão terá três partidas com times latino-americanos: Colômbia x Grécia, no dia 14; Argentina x Irã (21); e Costa Rica contra Inglaterra (24).

Durante a Copa, a embaixada argentina no Brasil acredita que BH receba 20 mil visitantes do país, quase cinco vezes mais que o total de argentinos que pousaram em 2012, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins: 4.158. Segundo a Secretaria de Estado de Turismo (Setur), durante todo aquele ano desembarcaram em BH 10.119 turistas de vizinhos latino-americanos. A nação de Maradona lidera o ranking, seguida por Venezuela (987), Colômbia (925), México (904), Uruguai (879), Equador (552), Peru (494) e Chile (483). “No Mundial, uruguaios e chilenos virão em menor número que argentinos, mas também haverá muitos. BH será a cidade-sede latino-americana”, prevê o secretário municipal extraordinário para a Copa, Camillo Fraga.

Sul-americanos que vivem em BH estão animados com a perspectiva de ver de perto as seleções de seus países e encontrar vários compatriotas, mas alertam: há problemas por aqui. O EM convidou três deles para falar sobre a capital mineira e testar o castelhano dos belo-horizontinos. Gustavo Román, de 45 anos, nasceu na cidade de Neuquen, na Patagônia argentina. Mudou-se para o Brasil em 2000 e, depois de morar no litoral baiano e em São Paulo, fixou-se em BH em 2003. Ele é dono da Pizza Sur e do Restaurante Parrilla Los Hermanitos. O uruguaio Jesus Orlando Ribero Lopez, de 58, nasceu em Rivera, na fronteira com o Rio Grande do Sul, e chegou a Minas em 2006. Hoje, é gerente do restaurante Parrilla Del Patio. Já o professor de Karatê e defesa pessoal Antinio Fan Bastias, de 61, é natural de Santiago, capital chilena, e veio para Belo Horizonte em 1986.

Problemas
Em um passeio na tarde de quinta-feira, a primeira parada foi o Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul. Jesus se aproximou da atendente e questionou: “Qué ofrece el museo para el turista?”. (O que o museu oferece ao turista?). A moça não entendeu: “O quê?”. O outro repetiu a pergunta. Insegura, sem querer prolongar a conversa, a moça se limitou a dizer, em português: “São várias salas sobre Minas Gerais. Está tudo neste livreto”. E entregou um panfleto com textos em espanhol. O uruguaio saiu frustrado: “Ela deveria ter tentado um diálogo em vez de se liberar dando o livreto”.

O endereço seguinte foi o Centro de Atendimento ao Turista (CAT), instalado ao lado do Parque Municipal Américo Renê Giannetti, no Centro. Assim que se apresentaram, os estrangeiros foram informados da ausência do atendente que fala espanhol. Antinio não se desanimou e perguntou a um rapaz: “Si hablo rápido, no me entiendes. Pero si hablo despacio, me entiendes?”. (Se eu falar rapidamente você não me entende. Mas se eu falar devagar, me entende?). O outro disse que sim. Enquanto isso, Jesus recebeu informações de uma moça que tampouco sabia o idioma estrangeiro, mas conseguiu se virar diante da complacência do uruguaio, que falou pausadamente. A jovem teve o esforço elogiado por seu interlocutor: “Ela foi muito legal. Falou com calma”.

Depois da caminhada, os companheiros sentiram fome e foram a uma pastelaria ali perto, na Avenida Afonso Pena. O chileno pediu à atendente de caixa: “Quiero un juguito de piña y una cosa que tenga pollo”. (Quero um suquinho de abacaxi e algo que tenha frango). A mulher contestou, franca: “Ih, não entendi nada”. Foi a vez de o uruguaio tentar, usando outra palavra para abacaxi mais comum em seu país: “Yo quiero un jugo de ananá”. (Quero um suco de abacaxi). A outra perguntou: “Guaraná?”. Jesus repetiu o pedido e ela desistiu, contradizendo o cardápio: “Não tem”. Para a salvação dos estrangeiros, eles foram acudidos pela empresária Sandra Vogel, de 40, que estava no balcão comendo pastel, percebeu o aperto e serviu de intérprete. “Já tive aulas de espanhol”, explicou. “Se não fosse ela, passaríamos fome”, constatou Antinio.

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