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Brasília » Desgaste e rachaduras ameaçam as pontes que atravessam o Lago Paranoá Especialista analisa, a pedido do Correio Braziliense, as quatro principais vias de acesso ao Lago Sul e ao Lago Norte e considera "grave" a situação de todas elas. Secretaria de Obras e DER descartam riscos iminentes

Luiz Calcagno - Correio Braziliense

Publicação: 07/01/2014 10:52 Atualização:

"É como uma cárie. Se você cuidar do problema a tempo, é barato e rápido, mas, se demorar, você perde o dente" Dikran Berberian, professor de engenharia civil da UnB. Foto: Breno Fortes/CB/D.A. Press

As peças de concreto da Ponte Costa e Silva, no Lago Sul, que se desprenderam sobre a pista no fim de semana, expuseram a precária situação dessas construções. Todas as vias que atravessam o Lago Paranoá, inclusive a milionária Ponte JK, apresentam desníveis em diversos pontos. As falhas revelam pequenas “barrigas”, que provocam rachaduras e deixa desprotegido o aço das estruturas. A consequência, a longo prazo, é o comprometimento da sustentação.

A pedido do Correio/Diario, o especialista em patologias de estruturas e professor de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) Dikran Berberian inspecionou as quatro principais pontes do Lago Paranoá — Costa e Silva, JK e das Garças, no Lago Sul, e do Bragueto, no Lago Norte — e alertou para a necessidade de manutenção. “É como uma cárie. Se você cuidar do problema a tempo, é barato e rápido, mas, se demorar, você perde o dente”, comparou.

Ele classificou como “grave” a situação de todas as pontes (leia Diagnóstico). A do Bragueto seria a estrutura em pior estado. Desníveis, buracos, rachaduras e o próprio aterro de apoio à obra apresentam sinais de deterioração. Diversos cabos que sustentam a estrutura e passam por dentro do monumento também estão rompidos. Na visão do engenheiro, não vale a pena reformar a via. Ele defende a demolição da ponte para que outra seja erguida no local. “Ela tem de ser uma estrutura flexível. Esses cabos são como cordas de um violão, que fazem com que tudo fique no lugar após a estrutura vibrar. Sem eles, ela não se sustenta”, explicou Dikran.

As pontes Costa e Silva, das Garças e JK revelam problemas semelhantes. As duas primeiras têm rachaduras na parte inferior, além de diversos desníveis. O especialista sugere uma pintura com cimento de alta resistência para preservar o metal usado nas obras. No caso da JK, há desníveis e ferrugem. “Os nossos monumentos precisam de manutenção. As obras de engenharia não são perenes. As normas internacionais sugerem que esse tipo de trabalho (de manutenção) aconteça a cada 5 anos”, lembrou.

O secretário de Obras, David José de Matos, garantiu que uma equipe de técnicos avalia anualmente as pontes do Paranoá. “O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) já lançou um edital para construir pontes paralelas à do Bragueto para, posteriormente, trabalhar nos problemas. O processo, atualmente, está na Justiça. No ano passado, consertamos os guard-rails e pintamos as estruturas da Ponte das Garças e da Costa e Silva”, detalhou.

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