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Maranhão » Dez pessoas são presas, suspeitas de ataques violentos em São Luís

Agência Brasil

Publicação: 06/01/2014 10:17 Atualização:

Os ataques na Região Metropolitana de São Luís, na última sexta-feira, orquestrados de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, resultaram na prisão de oito pessoas e na detenção de dois menores. Bandidos incendiaram quatro ônibus, metralharam viaturas e delegacias e deixaram cinco pessoas hospitalizadas com queimaduras no corpo, incluindo uma menina de 6 anos que corria risco de morte até o fechamento desta edição. Enquanto isso, o prazo para o governo do estado dar satisfações sobre a violência no presídio à Procuradoria-Geral da República termina hoje.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do estado, Aluísio Mendes, o objetivo dos presos era ainda maior. “A ordem era para queimar 20 ônibus em São Luís.” Diante da apreensão vivida pela população da cidade, o Ministério da Justiça ofereceu vagas nos presídios federais para receber detentos de Pedrinhas. A penitenciária foi o cenário de 60 mortes violentas só no ano passado. Nos primeiros dias deste ano, mais dois presos foram assassinados e um fugiu.

Ontem, em coletiva de imprensa na sede da secretaria, Mendes apresentou 10 suspeitos de participarem dos ataques. Um deles, Hilton Jonh Alves Araújo, 27 anos, conhecido como “Praguinha”, teria sido o responsável pela resposta ao comando do presídio. Condenado a 20 anos de prisão por homicídio, Hilton esteve foragido em 2012, quando recebeu o indulto de Natal. Ele chegou a ser detido de novo, mas ficou apenas 180 dias porque a Justiça considerou que tinha morosidade no recurso interposto na sua condenação. De acordo com o Serviço de Inteligência da Polícia Militar, o detento Jorge Henrique Amorim Martins, 21, o “Dragão”, teria comandado a ação de dentro da cadeia. Além dos dois, Hilber Ney Morais, conhecido como “Paiacam”, e um dos líderes de uma facção criminosa, Francisco Antônio Lobato Júnior, Diego da Silva do Carmo, Rogenilson Boa Ventura Brito, Ismael Calda de Sousa, Luís Gustavo do Nascimento também foram apresentados. Enquanto a coletiva ocorria, a polícia prendeu mais um: Bruno Airton Carneiro.

Apesar da situação de descontrole do presídio, tendo sido denunciado, inclusive, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), na avaliação do secretário, a polícia deu uma resposta rápida e efetiva às ações e conseguiu evitar mais violência. “Grande parte das lideranças dessas duas facções criminosas está presa. Identificamos quem ordenou e quem executou esses ataques bárbaros à população”, disse. Mendes acrescentou que, além de incendiar os coletivos, a ordem também era para matar policiais e bombeiros. Ele garante que a Polícia Civil não tem dúvidas sobre a autoria dos ataques. Segundo Mendes, eles pertencem ao crime organizado e estão ligados ao tráfico de drogas. “Estamos trabalhando para exterminar essas facções. A população precisa entender que essa é uma luta do bem contra o mal. O sistema de segurança está pronto para fazer esse trabalho”, pontuou.

Nos ataques aos coletivos, os criminosos anunciavam assalto, pegavam os pertencentes dos passageiros e ateavam fogo ao veículo. No incêndio registrado no bairro da Vila Sarney, cinco pessoas foram atingidas: duas crianças e três adultos estão internados. A menina de 6 anos que teve 95% do corpo incendiados, foi transferida do Hospital Municipal São Clementino para o Hospital Estadual Juvêncio Matos, passou por uma cirurgia e respira com ajuda de aparelhos. A irmã dela, de 1 ano e 5 meses, também está hospitalizada, com cerca de 20% do corpo queimado. O estado de saúde dela é considerado estável.

Transferências
De acordo com a SSP, a ofensiva dos detentos foi uma reação às medidas de segurança adotadas na penitenciária nos últimos dias, com reforço de policiais e revistas dos presos e das celas. A partir de hoje, começa a funcionar dentro do complexo penitenciário uma delegacia permanente. Ontem, o Ministério da Justiça ofereceu vagas em presídios federais ao governo estadual. Caso a governadora Roseana Sarney (PMDB) dê sinal positivo, eles indicarão os detentos a serem transferidos.

A tensão na penitenciária de Pedrinhas intensificou-se em outubro, após uma rebelião, que deixou nove mortos e 20 feridos. Em novembro, três presos foram decapitados. De acordo com um relatório do Conselho Nacional de Justiça, o presídio não oferece segurança para os detentos e funcionários, além de ser comandado por facções criminosas, que praticam, inclusive, atos de tortura.

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