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Rodovias de Minas » Acidentes nos feriados de fim de ano em Minas devastam famílias Tragédias interrompem planos de um 2014 melhor para muitas famílias. Entre as vítimas, havia quem planejasse terminar a casa e começar vida nova em outra cidade

Guilherme Paranaiba -

Flávia Ayer -

Landercy Hemerson -

Publicação: 02/01/2014 07:41 Atualização: 02/01/2014 08:53

Em média, sete pessoas morreram em cada um dos 13 dias de operação nas rodovias federais e estaduais, de 20 de dezembro a 1º de janeiro foto: Toninho Cury/Divulgacao	 (Toninho Cury/Divulgacao	
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Em média, sete pessoas morreram em cada um dos 13 dias de operação nas rodovias federais e estaduais, de 20 de dezembro a 1º de janeiro foto: Toninho Cury/Divulgacao

As festas de fim de ano inspiram novos planos, renovação e felicidade. Mas para pelo menos 92 pessoas que cruzaram as rodovias de Minas nos feriados de Natal e réveillon, o período representou o fim dos sonhos. Levantamento do Estado de Minas mostra que, em média, sete pessoas morreram em cada um dos 13 dias de operação nas rodovias federais e estaduais, de 20 de dezembro a 1º de janeiro. Planos para 2014 foram interrompidos com violência em capotamentos, batidas e atropelamentos nas curvas das BRs e MGs. São casos de quem pretendia terminar a casa própria, estava de mudança e esperava começar vida nova em outra cidade e até de quem tinha acabado de se encantar pela maternidade e viu a filha recém-nascida morrer em seus braços. As polícias Militar Rodoviária (PMRv) e Rodoviária Federal (PRF) divulgam hoje o balanço oficial dos acidentes. No ano passado, foram 113 mortes entre 21 de dezembro e 2 de janeiro nas estradas estaduais e federais.

A maior tragédia dos feriados de Natal e Ano Novo ocorreu na noite de terça-feira, às vésperas da virada do ano, no km 112 da BR-040, em Lagoa Grande, no Noroeste de Minas. Dois carros de passeio e uma moto se envolveram em uma batida e os três pegaram fogo. As oito pessoas que estavam nos veículos morreram. Segundo a PRF, os carros ficaram destruídos, o que torna difícil precisar como ocorreu o acidente, mas há indícios de que o Siena que seguia no sentido Belo Horizonte invadiu a contramão, acertando o Palio e a motocicleta que iam para o Distrito Federal. Não houve atendimento do Corpo de Bombeiros. A unidade mais próxima fica a mais de 150 quilômetros de distância, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.

Quatro pessoas da mesma família estavam no Palio que seguia de Salinas, no Norte do estado, para Brasília. Quem dirigia o veículo era o pastor evangélico e eletricista Evaldo Corrêa Durães, 39, que morreu junto com a mulher, Sandra dos Santos Silva, 36, funcionária do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal, o filho Matheus Corrêa dos Santos Silva Durães, 10, e a filha Nicolle Corrêa dos Santos Silva Durães, 6. A garota chegou a ser levada por um fazendeiro para o hospital de João Pinheiro (Noroeste), mas não resistiu às lesões. Os quatro moravam no Gama, cidade satélite de Brasília. O maior sonho da família era concluir a construção da casa em que já estavam morando. “Assim como qualquer um, meu irmão não tirava da cabeça a ideia de terminar a construção e ter a sua casa própria”, conta Edivaldo Corrêa Durães, 51, irmão de Evaldo.

O outro veículo acidentado é um Siena, onde estavam Daniela Pereira Dias Pacheco, de 38 anos, sua filha Ana Luiza Dias e Silva, 8, e a babá da criança, Josiane Dias da Silva, 20. Daniela tinha saído de Formosa (GO), onde trabalhava no departamento financeiro de uma revendedora de tratores há 19 anos, para Patos de Minas (Alto Paranaíba). Segundo parentes, ela havia deixado o emprego em Formosa para assumir uma vaga em uma nova empresa em Patos. Ela se juntaria ao marido, que já trabalhava na cidade há cerca de quatro meses. Toda a mudança já tinha seguido na segunda-feira. Mãe, filha e babá deixaram para viajar na terça-feira, quando ocorreu o desastre.

A motocicleta era conduzida por Fernando Lopes de Moraes, 40 anos. Segundo a cunhada dele, Jeane Lino Coelho, 40, o analista de sistemas era natural de Araxá (Alto Paranaíba) e morador de Brasília. Ele voltava para casa depois de percorrer a Estrada Real, desde o dia 25. A notícia do acidente abalou ainda mais a família, que ainda se recuperava da perda do sogro de Fernando, que morreu de câncer em novembro. “Estávamos esperando ele chegar para o réveillon em família, mas ele não aparecia nunca”, lembra Jeane. Ela conta ainda que Fernando deixa mulher e uma filha de 12 anos. “Em 2014, eles esperavam reformar a casa e também fazer uma viagem em família”, diz ela.

Ambulância Em outro acidente, no dia 30, três pessoas morreram e seis ficaram feridas em uma batida envolvendo uma ambulância e um carro na MG-402 entre Brasília de Minas e São Francisco, no Norte do estado. A técnica de enfermagem Ana Clara Cardoso, 36 anos, que acompanhava os pacientes na ambulância, morreu na hora. Casada, Ana Clara deixou três filhos e muitos sonhos. Para conseguir uma renda extra, ela optou por trabalhar no transporte de pacientes em ambulâncias. O motorista do Idea, Gilmar Lopes dos Santos, 43 anos, e a filha dele, Gláucia Lopes dos Santos, 12 anos, também morreram presos às ferragens.

O período do Natal foi mais violento, com 61 mortes. Num dos acidentes, dia 23, uma criança de três meses morreu. Lívia Monachio Freitas viajava no colo da mãe, Tamires Monachio, no banco dianteiro. O pai de Lívia, Franchesco Freitas, perdeu o controle do carro, que bateu no canteiro central e capotou. Tamires e a filha, que estavam sem cinto, foram lançadas para fora do veículo. A criança morreu no local e a mãe continua em coma, internada num hospital de Três Corações, no Sul de Minas. O acidente ocorreu na BR-381, em Carmo da Cachoeira, na mesma região. O casal seguia de Santa Bárbara do Oeste (SP), onde mora, para Montes Claros, no Norte mineiro. A pequena Lívia, nascida em 20 de setembro, seria apresentada aos avós paternos. No carro viajava ainda um outro casal, que sofreu ferimentos.

Hoje, a PRF e PMRv divulgam o balanço de acidentes da Operação Fim de Ano. De acordo com o chefe de comunicação da PRF, inspetor Aristides Júnior, a combinação entre imprudência com o maior movimento nas estradas é a principal causa dos acidentes. “Há muitos casos de ultrapassagem proibida, excesso de velocidade, direção sem atenção”, enumera. Segundo o policial, os acidentes com mortes ocorrem, principalmente, em saídas de pista, batidas frontais e atropelamento de pedestres.

Atropelamentos na Grande BH

Cinco pessoas de uma mesma família foram atropeladas no acostamento da MG-010, em Vespasiano, na Grande BH, na tarde de ontem. Um carro desgovernado atingiu os pedestres debaixo de um viaduto no km 19 da rodovia, no entroncamento com a MG-424, sentido capital. Duas crianças ficaram gravemente feridas no acidente. Três mulheres que estavam com elas também sofreram lesões. Testemunhas contaram ao Corpo de Bombeiros que o motorista perdeu o controle da direção em uma curva e atropelou o grupo que andava na estrada. Uma das crianças, uma menina de 12 anos, foi resgatada inconsciente e encaminhada de helicóptero para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII com o quadro de saúde gravíssimo. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRV), o motorista do veículo parou para prestar socorro e acompanhou todo o atendimento. Ele não deu declarações e foi encaminhado para a Polícia Civil. Também à tarde, uma idosa morreu atropelada quando atravessava as pistas do Anel Rodoviário, km 23, no Bairro São Gabriel, Região Nordeste. Ela foi atingida por um táxi na faixa central e morreu no local.

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