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Convívio » Animais de estimação transformam e alegram a rotina das famílias Adotados ou não, cachorros e gatos são capazes de despertar os mais diversos sentimentos a partir do convívio com os seus donos

Correio Braziliense

Publicação: 29/12/2013 10:29 Atualização:


%u201CElas são extremamente carinhosas, completamente diferentes do que eu imaginava. Todo mundo me dizia que gato é muito desconfiado, mas, só de ouvir a minha voz, elas começam a miar. Estou adorando essa experiência. Criar quatro, de repente, é um aprendizado diário%u201D
Mari Konishi,  30 anos, analista de sistemas. Foto: Ed Alves/CB/D.A. Press
%u201CElas são extremamente carinhosas, completamente diferentes do que eu imaginava. Todo mundo me dizia que gato é muito desconfiado, mas, só de ouvir a minha voz, elas começam a miar. Estou adorando essa experiência. Criar quatro, de repente, é um aprendizado diário%u201D Mari Konishi, 30 anos, analista de sistemas. Foto: Ed Alves/CB/D.A. Press
Quando eles chegam, ainda filhotes, viram a casa — e a vida dos donos — de cabeça para baixo. Companheiros de todas as horas, os bichos de estimação deixam de ser apenas animais criados por humanos e se tornam parte da família. Só quem tem cachorro sabe a sensação de calor no peito que dá a recepção diária, com o rabo abanando e os olhos brilhando. Os donos de gatinhos também experimentam doses diárias de afeto, com bichinhos dengosos, que não dispensam um carinho em momentos de preguiça. E, até mesmo quem é acostumado com os pets desde a infância, não nega: eles mudam a vida de muita gente.

É o caso da servidora pública Lívia Faria Bandeira, 35 anos. Criada em uma fazenda no interior de Goiás, ela sempre teve familiaridade com animais. “Nunca comi carne e cresci vendo essa realidade. Quando me mudei para Brasília, 10 anos atrás, fiquei sabendo de dois cachorrinhos abandonados nas redondezas e fiz o meu primeiro resgate”, lembra. A dupla foi parar em um abrigo, no qual ela faz trabalho voluntário até hoje.

Atualmente, Lívia tem nove cães em casa: seis dela e três que abriga temporariamente até que encontrem uma família. Os dois primeiros que ficaram sob os cuidados dela foram presentes. Depois, apenas resgates. Entre eles, um chiuaua, que não conseguia ser adotado por causa de um problema na boca; e uma pinscher, que estava no Centro de Controle de Zoonoses com a coluna fraturada. “Acho que todo mundo busca um sentido na vida, algo que preencha o coração. Quando vejo a fragilidade de um animal, especialmente um filhote ou um bicho doente, o sentimento é tão grande que o meu coração não consegue lutar contra. Não me gera dinheiro, mas satisfação emocional. Isso deu sentido para algo que possa fazer, que entendo como saúde pública, em prol da comunidade”, defende.

Para a advogada Ana Paula de Vasconcelos, 35 anos, adotar cães de rua é um ato de amor. Mãe de uma garota de 10 anos que estuda em um colégio de classe média alta, teve que lidar com o preconceito com os seis cachorros de casa. “Ela chegou me contando que as colegas chamaram os nossos cães de sujos e doentes porque vieram da rua. Tive de explicar que não era assim, que eles eram bem cuidados. Ela é criança, mas já consegue militar pela causa”, orgulha-se.

Ana Paula também mantém animais para adoção na chácara onde mora, no Lago Norte. Com Lívia, formou em 2013 um grupo de cinco amigas. Elas fazem resgates e cuidam dos cães para que sejam recebidos por famílias. Em um ano, promoverem 88 adoções. “Tenho que levantar mais cedo para dar atenção a eles e preciso ter alguém aqui quando viajo. Em compensação, esses bichinhos enchem a minha vida de alegria. A gente vai espalhando a noção de adoção, que é uma corrente do bem: as pessoas vão comprando a ideia”, diz, empolgada.

Aprendizado

A analista de sistemas Mari Konishi, 30 anos, sempre teve cachorros em casa. Atualmente, cuida de um pinscher e de um cocker spaniel. A vida dela mudou quando, em uma noite de abril, voltou para casa e se deparou com a mãe dizendo que tinha uma surpresa. “Vi os olhos brilhando, o sorriso, achei que tivéssemos ganhado na loteria. Ela abriu uma caixa de papelão e, dentro, havia seis filhotes de gato”, lembra. Mari ficou apreensiva: nunca havia criado um na vida, e eles eram muito pequeninos. Os bichanos haviam sido abandonados em um depósito de supermercado, e a mãe, compadecida, levou-os para casa.

O plano inicial era cuidar dos filhotes até que estivessem bem o suficiente para serem adotados. Mari conseguiu doar dois, mas os outros acabaram ficando com ela. “Cada dia, era uma descoberta muito intensa. Eles não tomavam leite na tigela porque ainda não sabiam comer. Tive que dar na boca, primeiro com um conta-gotas e, depois, com uma seringa. Descobrimos que gatos têm intolerância a lactose, era um sofrimento”, lembra.

O quarteto mudou completamente a vida de Mari, que, antes, só sabia lidar com cachorros. Ela passou a ter mais cuidado com a disposição dos objetos na casa para não atrapalhar as brincadeiras das quatro gatinhas. Além disso, aprende diariamente as peculiaridades desses animais tão diferentes dos cães. “Elas são extremamente carinhosas, completamente diferentes do que eu imaginava. Todo mundo me dizia que gato é muito desconfiado, mas, só de ouvir a minha voz, elas começam a miar. Estou adorando essa experiência”, comemora. Hoje, ela gosta até mesmo de ficar olhando para as gatas brincando, ou quando dormem abraçadas. “Criar quatro, de repente, é um aprendizado diário”, garante.

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