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Investigação » A rota norte da desova de carros roubados Quadrilhas de especializadas se aproveitam da falta de fiscalização policial nas estradas que ligam o DF à Bahia e ao Piauí para "passar adiante" o produto do crime. PRF apreendeu em Floriano dezenas de automóveis de Brasília

Ana D'angelo - Correio Braziliense

Publicação: 17/12/2013 10:15 Atualização:

O trajeto rodoviário do Distrito Federal ao Piauí, passando pela Bahia, tornou-se uma rota atraente para as quadrilhas de roubos de carros. Com apenas três postos de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em 1.100 km da capital do país até Barreiras (BA) e nenhum nos 817 km da cidade baiana a Floriano (PI), os veículos roubados e adulterados que saem do Planalto Central circulam com facilidade no Piauí.

Levantamento da PRF revela que, pelo menos, 20% dos 80 carros apreendidos e identificados na Operação Hircus, deflagrada no interior do Piauí, na semana passada, são do Distrito Federal e 9%, de Goiás. Há ainda 39 veículos sem identificação do estado de origem. Foi aberto inquérito policial contra 111 pessoas, entre ladrões e receptadores. Em outra operação da PRF, realizada dias depois no norte da Bahia, na região de Barreiras — também considerada um “ponto cego” de fiscalização — recuperou mais 44 carros, vários do DF.

O destino preferido das quadrilhas de roubos de carros permanece, no entanto, sendo Bolívia e Paraguai, onde os veículos costumam ser trocados por armas e drogas, segundo a polícia. Aqueles que os criminosos não conseguem levar para fora do país são desovados em cidades do interior, onde a falta de fiscalização facilita o comércio ilegal.

No Distrito Federal, entre 65% e 70% dos carros roubados são recuperados aqui mesmo, principalmente em Ceilândia e em Taguatinga, de acordo com o delegado Eduardo Galvão, titular da Delegacia de Roubo e Furto de Veículos do DF. Outra parte acaba localizada na região do Entorno. O restante, em torno de 10%, segue para cidades baianas como Barreiras, Formoso do Rio Preto e para o Piauí. Segundo Galvão, a operação da PRF no estado nordestino decorreu de uma ação da Polícia Civil do DF que tinha ido, dias antes, atrás de carros roubados do DF. “O tão falado desmanche é ínfimo entre os furtados e roubados”, disse o delegado.

O inspetor Cláudio Piazzarollo, coordenador da Operação Hircus no Piauí, afirmou que, após passar por Barreiras, os ladrões de veículos seguem pelas rodovias piauenses tranquilamente, pois não há a presença física de policiais rodoviários federais no trecho até o município de Raimundo Nonato, onde a operação se concentrou. “Na realidade, esse tipo de situação ocorre em todo o interior do país, não só no Piauí. Existem áreas parecidas na Bahia, no Pará, em vários estados. São locais que não possuem uma presença forte do Estado”, disse.

Clonagem
O policial rodoviário Rafael Varella Ribeiro, da Divisão de Combate ao Crime da PRF, afirma que esses carros são adulterados de tal forma que só policiais com treinamento conseguem detectar a fraude. Ele reconhece que os veículos passam com certa facilidade pelos postos de fiscalização em geral porque usam placas clonadas e documentação falsa. “A maioria deles passa por processo de clonagem. A adulteração é como uma falsificação de obra de arte, difícil de ser detectada numa fiscalização rotineira”, disse Varella. Segundo ele, esses carros são vendidos por preço bem abaixo do valor de mercado. A desculpa, em geral, é que seriam decorrentes de retomada de clientes inadimplentes com financiamentos bancários. O treinamento especializado dos policiais rodoviários tem dado bons resultados, segundo Ribeiro. Só neste ano, já foram apreendidos 4.593 veículos, 28% mais que em 2010.

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