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Após tiros » Passageiros relatam pânico em assalto a ônibus que terminou com três mortos Passageira baleada em ônibus durante confronto de assaltantes com um sargento da PM morre no HPS. Um dos homens mortos usava uma arma de brinquedo e militar está preso

Pedro Ferreira -

Publicação: 17/12/2013 08:35 Atualização: 17/12/2013 10:34

Assaltante que tentou atirar e o revólver falhou várias vezes levou dois tiros. Pulou com o ônibus em movimento, mas já caiu morto na rodovia. Foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press
Assaltante que tentou atirar e o revólver falhou várias vezes levou dois tiros. Pulou com o ônibus em movimento, mas já caiu morto na rodovia. Foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press

A passageira do ônibus da linha 4156 (Santa Luzia-Belo Horizonte) que levou um tiro na cabeça durante assalto na manhã de ontem tinha acabado de aceitar a gentileza de uma jovem que cedeu o lugar para ela se sentar. A auxiliar de serviços gerais Maria Marques Cândido da Silva, de 46 anos, chegou a ser levada com vida para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), mas não resistiu e morreu cinco horas depois. Os tiros foram disparados por um sargento do 22º Batalhão da PM, que estava fardado e armado, e matou os dois assaltantes. Há suspeita de que um dos tiros transpassou o corpo de um dos suspeitos e acertou a mulher. A empregada doméstica de 26 anos que poderia ter sido morta no lugar dela disse estar abalada e sem condições de comentar o que ocorreu.

O crime foi às 5h25, no km 13 da MG-020, no Bairro Ribeiro de Abreu, Região Nordeste de Belo Horizonte. O ônibus estava lotado, com muitos passageiros em pé. As luzes internas do veículo estavam apagadas, pois muitos dormiam, e foram despertados pelos gritos de um dos ladrões. “Passa o celular, passa o dinheiro, passa tudo, senão muita gente vai morrer aqui”, gritava o homem armado com um revólver calibre 32, falando palavrões, acompanhado de outro com uma réplica de pistola. Os dois acabavam de recolher objetos de valor e dinheiro quando um deles percebeu o sargento no último banco, sentado atrás da porta traseira. Temendo ser morto, o policial conta que sacou sua arma e disparou três tiros. Os dois assaltantes, Maciel Cândido Rosa, de 19, e Cleiton dos Santos Silva, de 21, morreram na hora.

Maria era casada pela segunda vez e deixou seis filhos. Ela havia se mudado de Várzea da Palma, Norte de Minas, para Santa Luzia, região metropolitana, para tentar uma vida melhor para a família. Estava feliz por ter conseguido emprego há oito meses numa empresa de vigilância patrimonial em que trabalha o cunhado, no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul da capital. “Estava comprando as coisinhas dela”, comentou o cunhado, Uílton Barbosa, de 40. “Uma boa mãe, trabalhadeira, brincalhona e muito dedicada à família. Saía de casa às 4h30 e só voltava à noite. A gente sai para trabalhar e não sabe se volta vivo”, lamentou o supervisor de segurança, que não quis comentar a ação do PM. “Não quero julgar ninguém. Trabalho com segurança e eu também temo pela minha vida se estivesse fardado dentro de um ônibus com dois bandidos armados”, disse.

Uma doméstica de 49 anos conta que um dos ladrões mandou o motorista acender as luzes internas. “Pediu para o motorista não parar o ônibus e que não desse sinal de alerta. Eu tirei meu celular e dinheiro da bolsa e entreguei para ele. Aí, começou o tiroteio e eu me agachei ao lado de outra moça. Houve muito desespero, gritaria, e todo mundo começou a deixar o veículo. Eu caí e alguém me levantou. Eu saí do coletivo e já havia um assaltante morto do lado de fora. Alguém começou a gritar que tinha uma passageira ferida lá dentro e fiquei mais desesperada ainda”, disse a testemunha. Maria morreu às 10h20, no HPS. A testemunha conta que escutou vários disparos. “Parecia barulho de uma arma mais potente e de outra mais fraca”, observou.

Um passageiro de 29 anos contou que o sargento sempre pegava o ônibus no ponto final e no mesmo horário. “Se o ônibus não tivesse lotado, os bandidos o teriam visto antes. Poderia ter havido um confronto com muitos passageiros entre eles”, comentou. “O ladrão com o revólver estava muito agitado, xingando muito. O outro, da arma de brinquedo, parecia iniciante no crime, apavorado”, disse o rapaz. “O da arma de verdade pediu meu dinheiro e celular. Eu disse que já tinha entregue para o outro e ele tomou minha mochila e levou tudo. As pessoas eram obrigadas a entregar tudo, até as alianças”, disse o passageiro. Ele conta que o PM acertou primeiro o ladrão que portava arma de brinquedo. O segundo assaltante, que tentou atirar e o revólver falhou, levou um tiro no peito e quando pulava a roleta para fugir pela porta da frente levou o segundo tiro pelas costas. “Pulou com o ônibus em movimento e acho que já caiu morto na estrada”, comentou.

Ação correta

O tenente da PM Cássio Pires, que atendeu a ocorrência, conta que antes de ser descoberto pelos ladrões o sargento já havia telefonado pedindo reforço policial. “A ação do sargento foi correta. Ele evitou um confronto até o último momento. Quando foi identificado pelo autor e não teve mais alternativa, ele atirou para proteger a sua vida e evitar um confronto maior”, disse o tenente. O sargento, que tem 15 anos de profissão, foi autuado em flagrante pela morte dos ladrões e permanecerá preso à disposição da Justiça Militar, em alguma unidade da PM. “Somente o laudo vai dizer de onde partiu o tiro que matou a passageira”, disse o tenente.

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