Pernambuco.com



  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Crime ambiental » Chumbo de munição em estande de tiro da Polícia Federal contamina o solo Denúncia revela que o estande de tiro da Academia Nacional de Polícia, no Taquari, está contaminado pelo metal pesado das balas disparadas contra os barrancos. Além disso, o treinamento põe em risco vizinhos e visitantes da Torre Digital

Correio Braziliense

Publicação: 15/12/2013 12:43 Atualização:

Um documento interno sigiloso da Polícia Federal obtido com exclusividade pelo Correio levanta denúncias sobre um grave crime ambiental nos estandes de tiro da Academia Nacional de Polícia (ANP), no Setor Habitacional Taquari. Sem manejo adequado, os barrancos que servem de anteparo aos estandes acumulariam uma grande quantidade de restos de balas disparadas durante os treinamentos, cuja maior parte é formada por chumbo, metal pesado altamente contaminante. “Tomando-se como base o número médio de 600 alunos em cada curso de formação, chega-se ao valor de 5 toneladas e meia de chumbo depositadas nos barrancos em cada curso”, diz um trecho do relatório, que foi elaborado a pedido da direção da PF e apresentado em agosto. O texto ressalta que essa estimativa não leva em conta “o chumbo dos projéteis de treinamentos, cursos e demais atividades de tiro que acontecem de forma contínua”.

O problema não para por aí: segundo o documento Proposta para a modernização dos estandes de tiro da ANP, a ausência de cobertura e o piso irregular da área de treinamento põem em risco os moradores de chácaras próximas e os visitantes da Torre de TV Digital, novo cartão-postal da cidade criado por Oscar Niemeyer, próximo à academia. De acordo com o relatório da PF, a situação se agravou com o adensamento populacional em torno da ANP, acompanhado pelo aumento do calibre das armas utilizadas. “A estrutura básica dos estandes de tiro desta ANP permanece a mesma desde sua inauguração e relata-se que essa foi suficiente para responder aos critérios de segurança exigidos àquela época”, diz um trecho. O relatório descreve minuciosamente as dificuldades do local, que não conta sequer com acesso pavimentado. Isso inviabilizaria, por exemplo, a chegada rápida de ambulâncias em caso de acidente.

Segundo o informante, o documento foi encaminhado à Direção-Geral da PF, que o repassou ao Ministério da Justiça. O relatório inclui cotações de preços fornecidas por quatro empresas especializadas — duas brasileiras e duas dos Estados Unidos — para substituir a estrutura atual por nove estandes cobertos e com sistemas informatizados de controle de alvos, luz, som e coleta de resíduos (que permitem a limpeza automática do local e evitam que o chumbo entre em contato com o solo). Um sistema parecido foi inaugurado este ano na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. O preço da modernização foi estimado em R$ 50 milhões. Mas o informante tem poucas esperanças. “Eles disseram que encaminharam ao ministério e, depois disso, não tive mais notícias. Acho muito difícil que façam algo”.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »