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Fortes chuvas » Moradores de áreas de risco sofrem com o medo de novos deslizamentos Região Centro-Sul tem 15 zonas vulneráveis. A Vila Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Serra, é o aglomerado da Região Centro-Sul de BH que mais apresenta pontos de perigo

Valquiria Lopes -

Mateus Parreiras

Publicação: 13/12/2013 07:24 Atualização:

Na Vila Nossa Senhora da Conceição, Selvita Pereira vive apreensiva depois que sua casa foi atingida três vezes: Beto Magalhães/EM/D.A Press
Na Vila Nossa Senhora da Conceição, Selvita Pereira vive apreensiva depois que sua casa foi atingida três vezes: Beto Magalhães/EM/D.A Press

A lembrança do deslizamento de terra que levou morro abaixo a casa onde morava ainda está viva na memória do padeiro Ismael Lucas, de 22 anos. O acidente na Vila Nossa Senhora de Fátima, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi há 12 anos, mas até hoje o risco ronda quem vive no local. “Eu era pequeno, mas me recordo bem que tudo foi levado pela lama”, conta. Os problemas, lembrados principalmente em épocas de chuva, ocorrem porque não só na rua de Ismael, mas em praticamente toda a região, as construções são feitas sem projetos de engenharia e em áreas sujeitas a deslizamento de terra.

A vila, no Bairro Serra, é o aglomerado da Região Centro-Sul de BH que mais apresenta pontos vulneráveis, de acordo com o diagnóstico da situação de risco geológico da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel). Segundo o levantamento, os moradores da comunidade convivem com 33 locais onde encostas podem ceder.

Ao todo, há 15 áreas habitadas com zonas de risco na Região Centro-Sul, a que concentra mais edificações em risco alto e muito alto em BH (638). Em quase todas, o maior problema identificado pelos técnicos da Urbel foram encostas sensíveis ao encharcamento provocado pelas chuvas, com risco de deslizamento. A Região Leste é a que tem mais zonas habitadas com risco de deslizamento de rochas, somando 16 locais. As regiões Norte e do Barreiro são as que têm riscos de inundação mais críticos, concentrando, cada uma, 16 pontos vulneráveis.

Não é difícil entender por que, ano após ano, quem vive nessas áreas está sujeito a ver a encosta descer, levando paredes, móveis e sonhos. Os barracos são construídos sem planejamento, um após o outro. Há, inclusive, casas de dois ou três andares. Várias podem ser avistadas da Avenida do Cardoso, na vila, no trecho urbanizado pela prefeitura na região.

Perto dali, a aposentada Selvita Barbosa Pereira, de 77, sofre com um drama de muitas décadas. No Beco José Dilson, onde mora, na Vila Nossa Senhora da Conceição, ela diz conviver com o medo de o barranco desabar no fundo da casa. “Minha casa já caiu três vezes. Em uma delas, eu tinha acabado de construir a cozinha. Estava tudo novinho. Perdi a obra e todos os móveis. Ainda hoje tenho medo de que tudo se repita”, diz, com tristeza. A pouca infraestrutura que há no local, segundo Selvita, foi construída pelos moradores. No beco, o piso elevado é feito de uma camada fina de concreto com buracos para a água escorrer. Nos dias de chuva forte, as passagens viram cachoeiras e fica difícil sair de casa. “Todo ano é a mesma coisa. A gente sempre ouve alguém contar que o barranco desceu, que a casa caiu ou que perdeu tudo. É uma tristeza muito grande”, diz.

Área nobre

Uma das áreas também mapeadas pela Urbel está encravada em meio a prédios de classe média no Bairro Sion. São moradias construídas em uma área de ocupação entre a Rua Valparaíso e Avenida Uruguai, onde as paredes são erguidas pelos próprios moradores. A vendedora Marlene Maria Mendes, de 57, conta que há um córrego cruzando o subsolo no trecho. Segundo ela, que nasceu no local, há casas vizinhas que apresentam rachaduras. “Meus pais vieram morar aqui há mais de 60 anos. Era uma casinha mais simples e depois meu pai construiu a nossa atual casa”, conta.

Ao lado da casa dela, a prefeitura investiu R$ 1,96 milhão em obras emergenciais de reconstrução de encostas, devido a danos causados pela chuva. O trecho mais caro, que consumiu R$ 1,36 milhão, fica na Rua Washington com Avenida Nossa Senhora do Carmo, enquanto a outra encosta fica na Rua Chicago, no encontro com a mesma avenida. Nos dois locais, vizinhos tiveram problemas em outras temporadas chuvosas. Um dos prédios ao lado do barranco chegou a ter a portaria interditada, diante do risco de deslizamento de terra. A fragilidade das construções, que pode levar ao risco de desabamento, também foi apontada pela Urbel na Vila Fumec, no Bairro Cruzeiro, Região Centro-Sul.

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