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Episódios polêmicos » Novo reitor da UFMG terá tolerância zero com os trotes Vencedor da eleição para reitor na UFMG quer punir veteranos que constrangerem calouros

Patrícia Giudice

Publicação: 09/12/2013 07:23 Atualização:

(Beto Magalhaes/EM/D.A Press.)
(Beto Magalhaes/EM/D.A Press.)

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) terá novo reitor em março. Pela lista tríplice escolhida por meio de votação, com direito a segundo turno, o professor do Departamento de Engenharia Jaime Arturo Ramirez, de 49 anos, deve ocupar o cargo mais alto da universidade. A lista será enviada em janeiro ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e à presidente Dilma Rousseff, que referenda o nome – pela tradição, o mais votado é nomeado. Enquanto espera a indicação, Ramirez já faz planos. Em entrevista ao EM, ele explicou suas expectativas e propostas e falou sobre episódios polêmicos que marcaram a UFMG este ano: trotes na Faculdade de Direito, denúncia de racismo no Centro Pedagógico e investigação contra um professor na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, acusado por alunas de assédio sexual.

“Tanto eu quanto a vice-reitora (professora Sandra Regina Goulart Almeida) temos uma posição clara de não aceitar esse tipo de conduta. É tolerância zero. Até mesmo com expulsão”, disse, referindo-se à forma como os calouros de direito foram recebidos. Casado e com duas filhas, Ramirez é natural de Itaú de Minas, na Região Sul do estado. Ele viveu a maior parte da juventude em Montes Claros até se mudar para Belo Horizonte para prestar vestibular na UFMG para engenharia elétrica. Na federal, foi pró-reitor de pós-graduação por seis anos, cargo que o fez conhecer intensamente a universidade. Veja principais trechos da entrevista.

Trotes

Eu e a (futura) vice-reitora acompanhamos os episódios deste ano e não concordamos com qualquer manifestação que cause humilhação ao estudante. Não podemos aceitar o que não é aceitável. Não vamos tolerar o que é intolerável. O que vimos foi agressão, violência e discriminação e pode haver expulsão. A primeira coisa que a UFMG precisa fazer é admitir que essas situações existem. Tanto eu quanto a vice-reitora temos uma posição clara de não aceitar esse tipo de conduta. É tolerância zero. Até mesmo com expulsão, mas precisamos formar melhor políticas claras e educativas para combater. Uma forma é que haja uma resolução de conduta adequada. Precisamos voltar a ser modelo para a sociedade. Estamos aqui para acolher todos de igual maneira, independentemente do extrato social, cor, opção religiosa ou quem escolheu para amar. É preciso estabelecer limites, maneiras de convivência e de confraternização.

Alunos e funcionários

A UFMG é uma instituição de ensino e tem a missão de formar pessoas, fazer pesquisas e extensão. Vamos ter uma conversa com todos os colegiados de cursos de graduação e pós-graduação para entender o que precisa ser feito. A universidade se expandiu muito com o Reuni (programa do governo federal de reestruturação e expansão das universidades federais) e queremos saber agora como isso aconteceu na graduação. A intenção é identificar propostas em conjunto e aprimorá-las. Precisamos recuperar o diálogo com o corpo discente e para isso nossa ideia é criar uma pró-reitoria de assuntos estudantis. Alguns segmentos da comunidade universitária precisam avançar. Uma das nossas propostas é que a universidade tenha políticas de qualificação para os funcionários do corpo técnico-administrativo. Eles estão aqui todos os dias e contribuem muito para o funcionamento da instituição.

SISU/ENEM

Vejo o Sisu com bons olhos. É importante que os alunos possam fazer o processo de seleção para entrar na UFMG sem precisar se deslocar até aqui. Hoje, a maior parte dos nossos alunos é de Belo Horizonte ou Grande BH e a nossa expectativa é que tenha uma alteração nesse perfil. Junto com essa entrada teremos mais alunos de escolas públicas e vindos de outros estados. Com a pró-reitoria de assuntos estudantis, uma das tarefas será acompanhar esse aluno, saber de onde ele vem, do que precisa para se manter aqui. É uma dupla tarefa. Acompanhar as condições socioeconômicas desse aluno e acadêmicas para que ele desenvolva suas habilidades aqui. O aluno de escola pública não é necessariamente o mais fraco, por isso o que queremos é atuar de forma rápida para não perder um talento por falta de condições.

EXPANSÃO

Agora é importante concluir a expansão do câmpus Pampulha. Já trouxemos para cá os cursos de ciências econômicas, engenharia, farmácia e odontologia, todos alocados em prédios novos, construídos para eles. Agora, vamos iniciar a construção de mais dois prédios para transferir os cursos de direito e arquitetura. Nossa expectativa é que até 2017 eles já estejam prontos, aí ficaremos com os três câmpus: Pampulha; medicina, na Região Hospitalar, e Montes Claros. Os prédios que hoje são ocupados pelo direito e arquitetura, que é inclusive tombado pelo patrimônio municipal, são de propriedade da UFMG e nossa ideia é mantê-los para outras atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Trânsito e meio ambiente

Uma grande preocupação é com o espaço que ocupamos. A UFMG vem aumentando sua demanda há cerca de cinco anos com o Reuni e o câmpus Pampulha sente isso em várias dimensões, principalmente trânsito, segurança e a questão da sustentabilidade. Temos que ter políticas voltadas para o meio ambiente e ser exemplos nisso, como instalar lixeiras de coleta seletiva e separar o lixo, o que vai ser feito de forma gradativa. O trânsito é uma questão que precisa ter um outro olhar, mais global, juntamente com a prefeitura e órgãos de trânsito da cidade. De segunda a quinta-feira, recebemos no câmpus Pampulha cerca de 50 mil pessoas por dia. A UFMG não pode ser uma via de acesso da cidade. E as discussões também precisam abranger o entorno do câmpus.

Segurança

A segurança está muito associada ao trânsito. Hoje, fazemos um monitoramento por câmera de toda entrada no câmpus Pampulha e precisamos ver se está funcionando bem. Temos duas formas de atuação: por meio de segurança terceirizada, que atua dentro da UFMG, e por convênio com a Polícia Militar, que faz um patrulhamento preventivo. Vamos conversar com estado e prefeitura para reforçar esse efetivo, inclusive com a Guarda Municipal.
Patricia Giudice

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