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Pesquisa » Metade dos brasileiros teme ser assassinada, aponta estudo Pesquisa do governo federal mostra que um em cada cinco foi vítima de algum crime no último ano, mas só 20% registraram boletim de ocorrência

Correio Braziliense

Publicação: 06/12/2013 15:39 Atualização: 06/12/2013 17:11

Brasileiros têm
Brasileiros têm "muito medo" de morrer assassinados. Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press/Arquivo
Metade dos brasileiros têm “muito medo” de morrer assassinados e quase um terço acredita que pode ser vítima de homicídio nos próximos doze meses. O índice de homens que se sentem seguros para andar nas ruas do bairro onde vivem é de apenas 26,7%. Entre as mulheres, essa proporção cai para 18,7%. Os dados assustadores sobre o pânico da população em relação à violência urbana são da Pesquisa Nacional de Vitimização, divulgada ontem pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e com o Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Um dos coordenadores responsáveis pela metodologia da pesquisa, o professor da UFMG Cláudio Beato, que considerou os dados “surpreendentes”, destacou a amplitude do levantamento divulgado. “Nós temos esse tipo de pesquisa na Inglaterra, no México. Os Estados Unidos fazem isso, por exemplo, desde os anos 1960. Há também dados feitos pela ONU e pesquisas brasileiras, mas nenhuma de abrangência nacional até agora”, descreve. Uma das revelações mais interessantes, segundo Beato, é a baixa procura da polícia por parte da população. Entre os entrevistados, só 19,9% registraram boletim de ocorrência sobre os crimes sofridos um ano antes da pesquisa. “Há essa diferença entre o que é notificado e o que efetivamente ocorre”, diz.

O levantamento, que ouviu cerca de 78 mil brasileiros, de 346 municípios de todas as unidades da Federação, entre 2010 e 2012, trouxe informações que permitem entender a dimensão da violência para além dos registros oficiais. Entre os entrevistados, 32,6% disseram já ter sofrido algum dos doze tipos de crimes listados em algum momento da vida, e outros 21% foram vítimas no ano anterior à visita dos pesquisadores. Entre os delitos pesquisados, o mais comum é a agressão física e verbal, sofrida por 14,3% dos ouvidos. A discriminação, como injúria racial, aparece em segundo lugar, com 10,7%, seguido pelo furto de objetos, com 9,8%.

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