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Beagles » Manifestantes contra pesquisa com animais fecham rodovia Protesto acontece em São Paulo

Agência O Globo

Publicação: 19/10/2013 12:13 Atualização: 19/10/2013 17:24

Manifestantes que estão acampados em frente ao Instituto Royal, na cidade de São Roque, entraram em confronto com a polícia e interditaram a Rodovia Raposo Tavares na manhã deste sábado. Uma viatura da PM foi queimada por manifestantes. Foto: Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo
Manifestantes que estão acampados em frente ao Instituto Royal, na cidade de São Roque, entraram em confronto com a polícia e interditaram a Rodovia Raposo Tavares na manhã deste sábado. Uma viatura da PM foi queimada por manifestantes. Foto: Alex Falcão/Futura Press/Estadão Conteúdo
Cerca de 500 pessoas protestam neste sábado contra o uso de animais em pesquisas, em frente ao Instituto Royal, em São Roque (SP). Os manifestantes fecharam o km 56 da rodovia Raposo Tavares. Um grupo de cinco mascarados tentou se aproximar do prédio do laboratório, mas foi contido por agentes da tropa de choque da Polícia Militar, que isolou a área. Os ativistas acusam a instituição de praticar maus-tratos contra cães, coelhos e ratos. Alguns manifestantes chegaram ao local na noite de ontem. Na madrugada de sexta-feira, outro grupo invadiu o instituto e levou 178 cães da raça beagle.

O trânsito foi desviado para a rodovia Castelo Branco, o que acabou reduzindo o congestionamento. Segundo o tenente da PM, Mario Machado Júnior, foi feito um acordo com a coordenação do protesto para que a cada 25 minutos de bloqueio da rodovia ela seja reaberta durante 10 minutos.

"Nossa intenção não é impedir a manifestação", disse o policial.

O advogado Carlos Henrique Marino participa pela primeira vez de uma manifestação. Ele saiu de São Paulo hoje pela manhã com a mulher, Renata, e a cadela beagle Mel, de 11 anos.

"Dou total apoio a eles (os defensores dos animais). Achei totalmente correto essa intervenção. Os animais não foram tomados, mas resgatados pelos ativisitas", disse ele.

Ontem, o juiz Fabio Calheiros do Nascimento, da 1ª Vara Cível de São Roque, concedeu uma liminar aos proprietários do Instituto Royal, para garantir a integridade do prédio contra nova invasão. Segundo o site G1, para que se cumpra a liminar, a Polícia Militar deve ser acionada para manter a ordem no local.

Segundo a polícia, os ativistas vão responder por furto qualificado. Os representantes da Frente Antivivisseccionista do Brasil também registraram boletim de ocorrência de maus tratos e abusos praticados contra os animais pelo instituto. A entidade afirma ter recebido denúncia de que cães e camundongos foram sacrificados e colocados no porão. Na quinta-feira, os ativistas ouviram ganidos de cães, que teriam sido submetidos vivos à dissecação para pesquisa. Os ativistas informaram que os ganidos, que indicam sofrimento dos animais, são ouvidos quatro vezes por dia. Afirmaram ainda que o ato fugiu do controle e que pessoas não ligadas ao movimento também entraram na sede do Instituto.

Defensora dos animais há 15 anos, Giuliana Stefanini é uma das líderes do grupo, que também contou com a participação da apresentadora e ativista Luísa Mell. Segundo Giuliana, o grupo investigava o laboratório há cerca de um ano e meio com a ajuda de um funcionário do próprio instituto.

"Uma pessoa de lá, que mantém o anonimato, é quem passava tudo para gente. Durante a tarde de quinta-feira fomos informados que eles mataram 12 Beagles. Do lado de fora, escutamos gritos horrorosos das cadelas, todos nós choramos, inclusive quem não era ativista, como o nosso advogado. Mataram todos os camundongos também. Eles iam matar todos os outros e, por isso, antecipamos nossa invasão. Foi tudo pacífico, só queríamos resgatar os animais", contou.

A pesquisa de medicamentos em animais é permitida por lei no Brasil, mas existe protocolo a ser seguido. Segundo o promotor Wilson Velasco Júnior, do Ministério Público Estadual em São Roque, o Instituto Royal era investigado desde o fim do ano passado, após denúncias de abusos contra os animais.

Segundo ele, apesar de as pesquisas serem legais, é preciso que os laboratórios sigam um protocolo, para que não imponham sofrimento desnecessário aos animais.

"Um animal só pode ser usado uma vez. É preciso que haja intervalo entre os procedimentos e eles devem ser anestesiados, para que não sintam dor", afirmou.

Segundo ele, quando se afirma que não houve maus-tratos aos cães significa apenas que eles não passaram fome, não foram espancados e não estavam sem contato com a luz do sol.

"O inquérito civil aberto para apurar a ação do Instituto Royal apura mais que isso. Investigamos se os protocolos de pesquisa estavam sendo seguidos. Pedi e recebi laudos de veterinários e biólogos, mas ainda não analisei o conteúdo. Agora, minha investigação foi prejudicada. As provas, que são os cães, foram levadas", reclamou.

O promotor afirmou que o Ministério Público do Estado já se posicionou contra a lei que permite o uso de animais em pesquisas. A diretora do Instituto Royal, Silvia Ortiz, disse ao Jornal Hoje, da TV Globo, que segue todos os procedimentos estipulados pela Anvisa. A empresa classificou o ato como terrorismo.

"Estamos muito chateados, pois fazemos um trabalho sério por mais de dez anos".

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