Publicação: 15/03/2013 08:48 Atualização:
Pedestres que transitam por ruas e avenidas de Belo Horizonte e precisam disputar espaço com toda sorte de obstáculos, como carros, lixo, entulho, placas e mesas, além de buracos, degraus e outras irregularidades nos passeios, ganharam ontem um aliado. Começa na segunda-feira a atuação de uma força-tarefa da Prefeitura de Belo Horizonte para devolver aos transeuntes um espaço que sempre foi destinado a eles, mas que é invadido por donos de imóveis e de pontos comerciais e sofre com a falta de fiscalização da administração municipal.
Como havia antecipado o Estado de Minas em novembro, começa pela Avenida Raja Gabaglia, importante ligação entre as regiões Oeste e Centro-Sul da capital, o trabalho do projeto batizado como Amar BH.
O objetivo é orientar os responsáveis e cobrar mudanças, principalmente nas calçadas de 20 avenidas de grande porte, para harmonizar a convivência nesses espaços e criar um padrão que permita ao pedestre circular com segurança. Também estão previstas intervenções do poder público no que se refere ao recapeamento do asfalto dessas avenidas e à criação de faixas de pedestres. A expectativa é de que os resultados sejam vistos na Raja em 60 dias e até dezembro em todos os demais corredores contemplados.
O projeto é coordenado pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, com participação das secretarias municipais de Meio Ambiente, Segurança Urbana e Patrimonial, além das regionais, BHTrans e Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Nos demais 19 corredores na mira da força-tarefa de superfiscalização, um diagnóstico preciso da situação dos passeios está sendo concluído. Na Raja Gabaglia, esse trabalho está pronto e vai orientar as intervenções.
A avenida foi dividida em cinco trechos e em todos eles há mais de um item com altos índices de desrespeito à legislação. No trecho 3, por exemplo, entre os números 1.745 e 2.150 cercado pelas Vila Santa Maria (Centro-Sul) e pelo Morro das Pedras (Oeste), nenhum passeio tem piso tátil, que orienta deficientes visuais e conta com inclinações necessárias aos cadeirantes.
Um pouco antes, entre os números 1.145 e 1.744, a situação é ligeiramente melhor no quesito adequação às necessidades de deficientes visuais, mas em alguns pontos, além da falta do piso tátil, o pedestre enfrenta outros obstáculos, como degraus que dificultam a passagem e inviabilizam o deslocamento de cadeirantes. Nas imediações do número 1.670, carros ficam estacionados sobre o passeio, onde caminhões de pequeno porte também param para carga e descarga. Enquanto isso, pedestres disputam espaços com os veículos que fazem manobras, em uma corrida de obstáculos constante.
Já no trecho 4, entre os números 2.222 e 3.800, área de concentração das concessionárias de veículos dos bairros São Bento (Centro-Sul) e Estoril (Oeste), apenas 25% dos passeios não têm veículos estacionados, embora esse tipo de ocupação só seja permitido no afastamento frontal dos imóveis. E, mesmo nesses locais, apenas 16% contam com o estacionamento de veículos da forma correta, pois somente os estabelecimentos que tenham uma faixa livre com no mínimo cinco metros podem acomodar carros.
Segundo o prefeito Marcio Lacerda, a Raja Gabaglia foi escolhida por estar em um local privilegiado da cidade e apresentar vários problemas. “A Raja é bem simbólica, por ser bonita e ter muitas questões a resolver. O respeito ou a falta de respeito nos passeios se refletem na qualidade de vida da população. O levantamento mostra uma situação que não é muito boa”, avalia. O secretário de Serviços Urbanos, Daniel Nepomuceno, explica que a ação não será repressiva de início. “Nosso grande objetivo é orientar os donos de imóveis e informar sobre a padronização. Se isso não for suficiente, entramos com a multa. O que acontece é que muita gente acha que a responsabilidade pelo passeio, por exemplo, é da prefeitura”, afirma Nepomuceno, acrescentando que as equipes de fiscais estarão a partir de segunda-feira em campo para começar o trabalho.
De
até
© Copyright 2013, S/A Diario de Pernambuco. Todos direitos reservados.
Esta matéria tem: (0) comentários
Não existem comentários ainda