Publicação: 08/03/2013 23:17 Atualização:
"A passeata é um ato organizado por diferentes frentes da sociedade insatisfeitos com a violência, tais como estudantes, sindicatos, movimentos feministas, para ter acesso aos seus direitos. É lógico que o índice de homicídios contra as mulheres tem aumentado. Isso acontece pelas denúncias contra os seus agressores. Agora, elas denunciam, mas devido à demora da aplicação e rigidez da lei e ausência de ações das políticas públicas, muitas acabam morrendo antes do atendimento da polícia", diz a coordenadora da Camtra, Eleuteria Silva.
Uma vítima de violência doméstica é a auxiliar de creche Samantha Guedes. Durante três anos em que esteve casada, ela foi vítima de agressões físicas e de cárcere privado. “Nos primeiros quinze dias levei uma surra e depois os atos aconteceram sucessivamente. Não optei por ter filhos, porque não queria pôr um filho no mundo para sofrer mais".
Para Samantha, a solução só veio quando saiu de casa e retornou para a casa dos pais. “As mulheres são condicionadas a entender que dependemos de um homem para ser feliz, no entanto, quando descobri que minha felicidade estava distante, saí de casa com R$ 10, a roupa do corpo e o denunciei na Delegacia da Mulher. Ele teve que prestar serviços por dois anos e prestou auxilio com cestas básicas".
Para a aposentada Cleonir Alves, de 72 anos, fundadora da ONG Conselho de Mulheres da zona oeste, apesar do dito popular “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, é preciso interferir e denunciar a violência. “O meu pedido é que haja mais policiamento, na zona oeste, porque falta segurança. Outra luta é por uma Delegacia da Mulher, não dá pra conviver com tanta violência. Então o pedido foi encaminhado ao gabinete do governador e até agora estamos esperando". Um dossiê da Polícia Civil, divulgado no ano passado, mostra que a zona oeste do município do Rio é a região com maior índice de violência contra a mulher no estado.
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