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Julgamento » Investigação se volta para policiais civis que estariam ligados à morte de Eliza Após sentença do goleiro, a mais esperada, apuração sobre a morte de Eliza entra em nova fase. Alvo são as figuras mais temidas da trama: os policiais investigados pela execução

Estado de Minas

Publicação: 08/03/2013 09:17 Atualização:

A sentença para o goleiro Bruno Fernandes de Souza pelo assassinato de Eliza Samudio está longe de encerrar o caso deflagrado em junho de 2010, quando a ex-amante do réu foi retirada do sítio de Esmeraldas, na Grande BH, aos 25 anos, para ser entregue a seus executores. Os últimos lances do julgamento mais esperado relacionado ao crime envolveram definitivamente na trama aquele que talvez seja o trio mais temido de todo o processo: o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado no inquérito como o assassino da vítima; o policial aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé – implicado nas investigações tanto por Bruno com por sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues de Souza –; e o agente da ativa da Civil Gilson Costa.

Se Bola já está preso e chegará ao julgamento no mês que vem sob o peso das últimas declarações dos réus, que reforçam sua condição de executor de Eliza, os dois outros personagens entraram definitivamente na mira do Ministério Público e da Justiça por suspeita de participação direta no caso. Zezé, formado na mesma turma de Bola na Polícia Civil e inicialmente apontado como o homem que apresentou Bola a Bruno e a Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foi formalmente citado ontem por Dayanne. Ela pediu para ser ouvida de novo no Tribunal do Júri, em uma atitude que acabou levando a promotoria a recomendar sua absolvição.

O novo testemunho complicou bastante a situação de Zezé, cujo nome já havia surgido nos depoimentos de outros réus e testemunhas. O Ministério Público acredita que o policial aposentado se encontrou com Bola na noite em que Eliza foi morta, e que também falou por telefone com mais de um envolvido no caso inúmeras vezes. Só entre ele e Macarrão foram 37 ligações em cinco dias, no período em que Eliza esteve em Minas.

O MEDO Ontem, Dayanne confirmou ao promotor que conversou algumas vezes com Zezé, segundo ela a pedido de Macarrão, e disse que o ex-policial queria informações a respeito de Eliza e de Bruninho. Além disso, Zezé teria orientado Dayanne a não levar a criança à presença da delegada Alexandra Wilke, que investigava a denúncia de sequestro do filho de Eliza. Por fim, confirmando o que Bruno já havia dito no dia anterior, Dayanne afirmou que Zezé está envolvido no caso, que é uma pessoa perigosa e que ela o teme, sentimento compartilhado pelo ex-marido. “Se ele é essa pessoa perigosa, eu temo pela minha vida e pela vida das minhas filhas”, disse ao promotor Henry Wagner Vasconcelos.

Gilson é o mais novo policial a ter seu nome ligado ao caso Bruno. Segundo a promotoria, ele também manteve contatos telefônicos com Bola em 10 de junho de 2010, data do assassinato, além de outras ligações em dias anteriores. Como a dupla Bola e Gilson já responde pelo sumiço de duas pessoas em 2008, cujos corpos nunca foram encontrados, no extinto Grupo de Resposta Especial (GRE), a suspeita é de que os policiais civis tenham atuado juntos também na execução de Eliza Samudio.

Para o advogado criminalista Francisco Rogério Del Corsi, se houver indícios importantes da participação de Zezé e Gilson no crime, durante o julgamento de Bruno, as provas têm de ser construídas em uma investigação policial independente, e o inquérito deve ser remetido à Justiça. “Caso o Ministério Público denuncie e a Justiça acate, inicia-se um novo processo para responsabilizar os réus que não figuraram antes”, afirma. A pedido da promotoria, Zezé e Gilson já estão sendo investigados pela Polícia Civil, mas a corporação não dá detalhes sobre o rumo dos trabalhos.

Procurada, a advogada do policial Gilson Costa, Rita Andrade, não atendeu as ligações. Na última semana, ela havia afirmado que o processo contra o cliente devido a dois desaparecimentos no GRE em Esmeraldas, na Grande BH, está na fase de depoimentos e que ele é inocente, já que estava no interior do estado na época do episódio. Na mesma ocasião, ela também disse que no dia em que Eliza desapareceu seu cliente não estava na capital. O policial civil aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, não foi localizado pela reportagem.

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