Publicação: 08/03/2013 09:17 Atualização:
Figura de destaque ao longo de todo o inquérito policial e processo que apuraram o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, o advogado Ércio Quaresma experimentou ontem uma sensação até então inédita na trama. Isolado pelo blocão que fazia a defesa de Bruno e Dayanne Rodrigues, ele viu o nome de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, seu cliente no processo, que não tinha sido citado no julgamento de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ganhar força como o executor de Eliza. Mais do que isso, o defensor de Bola também viu se destacar o nome do policial civil aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, que se formou na mesma turma de Bola na polícia e tem ligações diretas com seu cliente.
Quaresma foi o primeiro defensor de Bruno, em junho de 2010, mas deixou o posto por problemas de saúde. Ainda assim, sempre esteve assessorando outros réus ou indicando advogados de sua confiança. No julgamento de Macarrão e Fernanda Gomes de Castro, em novembro, ele conseguiu desmembrar o júri popular de Bola, adiado para 22 de abril.
Foi no depoimento de Bruno na noite de quarta-feira que Bola apareceu, citado pelo atleta como Neném. Bruno disse que ele foi contratado por Macarrão para executar Eliza, mas não deu mais detalhes de como aconteceu ou onde estão os restos mortais. Com o cliente de Quaresma na linha de tiro, a situação piorou com o novo depoimento de Dayanne ontem, incriminando o policial José Lauriano, o Zezé. A promotoria diz ter provas de que Zezé e Bola se encontraram na noite em que Eliza foi assassinada.
Para o jurista Luiz Flávio Gomes, o fato de Bola ser citado como executor de Eliza por Bruno será prova importante. "O Ministério Público vai usar os indícios da presença do réu no local do crime junto com as palavras do Bruno para tentar a condenação de Bola", diz Gomes.
Ércio Quaresma diz que o fato de Bruno ter apontado Bola será "excelente" para seu trabalho perante os jurados em abril. “Foi um tiro no pé. Ficou muito claro que houve uma orientação explícita de apontar uma situação que não existe e os jurados perceberam isso”, afirma Quaresma.
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