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Risco » Bichos estão sob suspeita de leishmaniose no Zoológico de Belo Horizonte Animais de duas espécies da família dos canídeos abrigados pela Fundação Zoo-Botânica de BH teriam contraído a doença e visitantes temem ser contaminados

Estado de Minas

Publicação: 05/03/2013 12:00 Atualização:

As doenças que levaram à morte animais como a gorila Kifta, no último sábado, quase um ano depois de o companheiro Idi Amim falecer, não trazem perigo apenas aos 3,5 mil animais do acervo do Zoológico de Belo Horizonte. Há enfermidades em espécies que ameaçam visitantes menos avisados. A reportagem do Estado de Minas teve acesso a informações de profissionais ligados à instituição que dão conta de que os cinco cachorros-do-mato-vinagre e os dois lobos-guará que vivem ali estão contaminados por leishmaniose visceral, uma doença transmissível ao homem e que pode levar à morte, especialmente crianças, idosos e pessoas debilitadas. O zoológico confirma que um primeiro exame apontou a doença, mas que mais testes precisam ser feitos para confirmar a situação. Enquanto isso, domingo passado, esses animais continuavam circulando em seus recintos a menos de dois metros dos visitantes.

A Secretaria Municipal de Saúde informou ontem que a Gerência de Zoonoses da Pampulha foi comunicada sobre a presença de um cachorro-do-mato-vinagre com exame positivo para leishmaniose, mas aguarda um novo resultado para confirmar a doença. Ao contrário do que a secretaria recomenda para os animais domésticos afetados pelo tipo visceral da doença, que é o sacrifício, o órgão informou que no zoológico foram tomadas medidas como borrifação do local e isolamento do animal.

Em 2012, até novembro, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou pelo menos 84 internações médicas de pessoas com leishmaniose visceral em BH. Nos leitos desses hospitais houve pelo menos uma morte. O Ministério da Saúde estima que a letalidade da doença seja de 90% quando não há tratamento logo no início da manifestação do mal. A leishmaniose é uma infecção causada pelo protozoário Leishmania chagasi, transmitido pelo mosquito-palha. Os cães são os hospedeiros mais comuns do protozoário, contaminando mosquitos que se alimentam de seus sangue, e estes, por sua vez, transmitem a doença aos homens. BH é considerada área endêmica da doença, ou seja, ela circula com frequência pelo território.

O Manual de Vigilância e Controle de Leishmaniose Visceral no Brasil, editado pelo Ministério da Saúde, determina que animais infectados devem ser sacrificados e não submetidos a tratamento, uma vez que a pasta não considera esse procedimento eficaz. E a eutanásia, ainda que polêmica, tem sido a prática do Centro de Controle de Zoonoses de BH no que se refere aos cães errantes e de propriedade privada. Contudo, essa parece não ser a estratégia a ser seguida pelo zoológico. De acordo com a chefe da Seção de Mamíferos da Fundação Zoobotânica, Valéria Pereira, caso seja confirmado que os animais estão contaminados o procedimento será outro. “Vamos procurar um tratamento para as espécies”, disse. Pereira não considera que representem perigo imediato aos visitantes e por isso não removeu os espécimes suspeitos de estar doentes da exposição. “Nós aplicamos remédio no pelo dos animais e colocamos coleiras com repelentes para impedir que os mosquitos os piquem e depois possam ter contato com os visitantes”, diz.
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