Publicação: 05/03/2013 09:01 Atualização:
Sob o peso do julgamento de Luiz Henrique Romão, o Macarrão – condenado por participar do desaparecimento e morte de Eliza Samudio –, em desvantagem perante a opinião pública e diante de um júri predominantemente feminino, a defesa do goleiro Bruno Fernandes de Souza mudou de postura no primeiro dia do julgamento do principal réu no processo. Com estratégias que sugerem, segundo especialistas, a tentativa de diminuir uma pena tida como provável, os defensores dispensaram testemunhas e pediram celeridade no júri, com um comportamento que gerou comentários sobre uma possível confissão do atleta. A mudança de postura também estava estampada na face do personagem de maior destaque na trama. O Bruno aparentemente tranquilo e altivo das últimas aparições ontem era outro: cabisbaixo diante das câmeras, se agarrou à Bíblia e ao lenço entregue por advogados. Fora do tribunal, porém, seus defensores dão mostras de que o jogo está longe de acabar.
Os advogados indicam que reagirão a uma eventual condenação pedindo a anulação do júri e já guardam cartas na manga para isso: questionam a legalidade do atestado de óbito da ex-amante de Bruno, em recurso que será apreciado em instâncias superiores, denunciam sumiço de partes do processo e atacam a investigação paralela que apura o envolvimento de mais dois policiais no caso. Advogado que defende Bruno desde novembro do ano passado, quando o processo do goleiro foi desmembrado do que culminou na condenação de Macarrão, Lúcio Adolfo dispensou três pessoas das oitivas em plenário. Ao se explicar sobre o motivo, afirmou não acreditar haver nada nos depoimentos que acrescentasse à defesa do atleta.
Para o jurista Luiz Flávio Gomes, esse tipo de dispensa ocorre quando o defensor não vê nada no testemunho que seja favorável ao réu ou quando há uma tentativa clara de diminuir um dano iminente, no caso a condenação. “A primeira tática de um defensor é desconstruir as provas. Quando elas ficam contundentes, é preciso mudar de tática. A defesa sempre luta pelo que é melhor para seu cliente. Se a condenação é inevitável, o melhor é tentar alguma estratégia que permita uma redução de pena, como confissão ou delação premiada”, afirma. O jurista acrescenta que o conselho de sentença, formado por cinco mulheres e dois homens, é desfavorável ao goleiro. “São mulheres jovens, que têm idades próximas à que Eliza Samudio tinha quando desapareceu, o que pesa contra o réu”, afirma Gomes.
A situação da defesa do goleiro também é vista como complicada pelo promotor de Justiça do 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Francisco de Assis Santiago, que compartilha do entendimento de que a nova tática visa a redução de danos. “A expectativa de o Bruno ser absolvido é praticamente nula. Já há uma confissão que o envolve diretamente e uma condenação. Por que agora vai mudar?”, diz o promotor. Santiago também chama atenção para a mudança de comportamento do ex-goleiro ontem no Fórum de Contagem. “É uma tentativa de substituir a arrogância pela humildade e melhorar o quadro.”
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