Após a operação que ocupou o Complexo do Caju, na Zona Portuária, e a comunidade Barreira do Vasco, no Rio de Janeiro, na madrugada deste domingo, o governador do estado, Sérgio Cabral, concedeu uma entrevista coletiva no Quartel-General da Polícia Militar da cidade e falou sobre a importância da ação. Para Cabral, a reconquista representa "o renascimento de uma região e liberta as comunidades do poder paralelo".
Minutos antes da ocupação, na entrada do Caju, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, fez um discurso de incentivo aos policiais. "Esta é uma área a menos em que vamos ter de fazer guerra, e em que vamos poder fazer cada vez mais um trabalho policial inteligente, mais legítimo", afirmou. Durante a coletiva no fim da manhã, além de ressaltar a tranquilidade com a qual a ação aconteceu – as áreas foram ocupadas em cerca de 25 minutos e sem que um tiro fosse disparado – ele disse que ainda é cedo para comemorar. Segundo ele, não há vitórias, mas conquistas diárias, e agora as autoridades vão buscar o equilíbrio para a população destas áreas.
Segundo o delegado Maurício Luciano, da titular da 17ª Delegacia de Polícia do Rio, em São Cristóvão, que coordena as ações, estão sendo cumpridos 10 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão nas duas comunidades cariocas. Até o momento, sete pessoas foram presas, sendo cinco em cumprimentos de mandados e duas por porte de drogas para consumo próprio. Um adolescente também foi apreendido com drogas no Complexo do Caju, mas foi liberado com a presença dos pais. Também foram apreendidas drogas, como maconha e lança-perfume, rádios comunicadores e armas de fogo. O material ainda não foi contabilizado. Ainda de acordo com o delegado, as ações vão seguir ao longo deste domingo.
Megaoperação
As favelas ficam entre duas das principais vias de acesso à cidade: a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. Com o apoio de blindados da Marinha, da Polícia Militar e de helicópteros, um efetivo de 1.400 policiais militares, civis, fuzileiros navais e policiais rodoviários federais entraram por volta das 5h nas comunidades.
A ação foi pacífica, sem resistência de criminosos, e durou aproximadamente 25 minutos. Já nas primeiras horas da manhã, os moradores começaram a circular pelas ruas e o comércio abriu normalmente. Porém, as pessoas ainda evitam falar com a imprensa, com medo de represálias dos traficantes que dominavam o local.
O assessor de relações públicas do Batalhão de Choque, capitão Alexandre Lima Ramos, considerou a operação bem-sucedida. “Chegamos de madrugada e o ambiente que encontramos foi bem tranquilo. Mas estamos sempre preparados para enfrentar situações de perigo e o objetivo é minimizar o risco para a população que aqui reside”.
As duas comunidades fazem parte do complexo de favelas da Maré, que será ocupado dentro dos próximos meses. A Maré é dominada por duas facções criminosas e por um grupo de milícia. A ocupação faz parte do plano do governo de pacificar todas as favelas no entorno dos locais onde ocorrerão jogos da Copa de 2014 e competições das Olimpíadas de 2016.
As bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro foram hasteadas hoje, às 10h20, na quadra do Conjunto Esperança do Parque Alegria, área do Caju, marcando assim o domínio das forças de segurança no conjunto de favelas.
Tags:
Esta matéria tem: (0) comentários
Não existem comentários ainda