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Religião » Fiéis de várias idades inventam penitências diferentes durante quaresma

Estado de Minas

Publicação: 24/02/2013 16:03 Atualização:

Vitor Junior Felix e e Soraia Felix: irmãos unidos pela fé
Vitor Junior Felix e e Soraia Felix: irmãos unidos pela fé
Expressão originária do latim (quadragessima dies), a quaresma representa um momento de preparação para a Páscoa e é marcada com as tradições do jejum, abstinência, caridades e orações. Presente na vida de muitos brasileiros, a celebração dura quarenta dias, tem início na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira santa. Tradição milenar, até hoje as pessoas ainda seguem as suas diretrizes, mas há uma tendência de modernizações nas penitências. Da tradicional abstinência de carne, elas hoje variam e chegam até ao jejum de redes sociais. Há uma renovação na maneira como as pessoas enxergam o período. “Desde pequena sigo a igreja católica e já estou acostumada com as penitências da quaresma, mas faço isso para mim, pensando em um limite meu. Por isso escolho sempre o meu jejum pensando nisso”, explica a promotora, Soraia Felix Fernandes, de 24 anos.

Saindo do lugar comum, a advogada Neli de Fátima Moreira Herval, de 40 anos, moradora da cidade de Coromandel, no Alto Paranaíba, escolheu fazer um jejum da língua este ano. Ela explica que tomou essa decisão porque acredita que é um tempo de reflexão e de mudanças na vida. Por isso, ela resolveu que queria reclamar menos e também evitar críticas e comentários sobre outras pessoas. “Evito falar mal das pessoas e de ser reclamona. É uma coisa que sempre achei que podia mudar. Acho que o excesso da palavra pode ser prejudicial e com essa penitência, quero ser mais cuidadosa”, revela.

SILÊNCIO

Assim como Neli, Soraia e o seu irmão, Vitor Junio Felix Fernandes, de 22 anos, também já optaram pelo sacrifício do silêncio. Soraia afirma que não aguentou, e acabou desistindo. “Não imaginei que fosse ser tão complicado e com mais ou menos 15 dias acabei cedendo”, conta. Já o irmão mais novo revela que conseguiu, mas concorda com Soraia ao dizer que foi a tarefa mais complexa escolhida até hoje.

Mesmo muito jovens, Soraia e Vitor contam várias histórias de penitências que já fizeram durante a quaresma, mais a que mais chama a atenção é a de Vitor, que escolheu fazer um jejum de internet. “Hoje em dia não existe nenhum jovem que não entre no facebook pelo menos uma ou duas vezes por dia e acabei me privando disso. Foi muito importante para que eu pudesse perceber o que é essa ferramenta e como fazer um bom uso dela. Vi que passava tempo demais online e deixava de fazer coisas úteis para ficar em frente ao computador”, assume o fiel. O jovem auxiliar administrativo conta que não foi tão radical e se permitia usar a internet para receber e-mails e trabalhar.

Frequentadora assídua da igreja de seu bairro, Soraia acredita que existe uma mudança na maneira como os novos cristãos estão se adaptando a essas tradições. Para ela a juventude não vai parar de frequentar a igreja e nem deixar de lado celebrações como a da quaresma. “Ainda temos muitos jovens fieis, mas acho que há uma mudança de foco”, opina. Como o mais importante durante uma tradição religiosa é a fé, as novas gerações adaptam as crenças a sua realidade. Um exemplo disso é a abdicação das redes sociais feita por Vitor. Isso mostra que para ele, mais difícil do que ficar sem ingerir algum tipo de alimento, era ficar quarenta dias offline.

Tempo de Reflexão

O pró-reitor do Santuário Nossa Senhora da Piedade, que fica em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Carlos Antônio da Silva, explica que para os cristãos católicos esses quarenta dias significam um tempo de se voltar para Deus. “É um período de reconhecer que muitas vezes erramos a mira e temos que reencontrar o nosso alvo”, explica.Para Carlos, não se trata de uma promessa onde o fiel espera algo em troca e sim de uma forma de refletir e fazer uma penitência, aprendendo alguma lição com isso. “A igreja foca muito na questão do jejum, da esmola e da oração. O jejum é um caminho para a disciplina, aprendendo a não seguir tanto a própria vontade. A esmola vem na forma da solidariedade, levando um bem estar para o próximo e a oração é a capacidade de intimidade com o senhor. Usar o silêncio a partir da oração para compreender a capacidade de não julgar e exercer a prática de amar”, revela.

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