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Minas Gerais » Professora é presa por extorquir médica em Juiz de Fora Dizendo fazer parte de seita, professora consegue extorquir e levar R$ 380 mil de médica. Acusada, que foi presa, dizia que coisas ruins poderiam acontecer à vítima se valor não fosse pago

Estado de Minas

Publicação: 07/02/2013 09:36 Atualização:

Uma médica de Juiz de Fora, na Zona da Mata, foi ameaçada e extorquida por uma professora que dizia pertencer a uma seita religiosa internacional. A suspeita, de 53 anos, foi presa por estelionato na noite de terça-feira. Segundo a Polícia Civil, a docente dava aulas particulares à filha da vítima e prometia usar forças espirituais para fazer mal à família, caso não recebesse dinheiro. No total, foram pagos R$ 380 mil, informa o delegado José Márcio Carneiro, responsável pelo inquérito aberto para investigar o caso.

Em depoimento à polícia, a professora negou a acusação. “Ela é muito ardilosa, manipuladora, conversa muito bem. Diz que vendeu joias à vítima e foi paga por isso e pelas aulas que dava”, diz Carneiro. Apesar de insistir na própria inocência, a suspeita reafirmou fazer parte de uma organização religiosa chamada Espadachins, que seria originária da França e teria integrantes em vários países. “Ela diz que a seita tem ramificações no mundo inteiro. Eu não acredito nisso, não. É uma invenção dela, um pretexto para conseguir o dinheiro”, defende Carneiro, depois de rir ao revelar o nome da suposta seita.

A professora dava aulas à filha da médica há cerca de três anos, mas as ameaças só começaram há um ano. Passou a exigir dinheiro para garantir a segurança da família. “Olha, se você não me pagar, os integrantes da seita vão fazer mal a vocês, que podem ter problema de saúde, sofrer um acidente fatal. Algumas coisas ruins podem acontecer”, dizia ela, segundo Carneiro.

A médica, clínica geral de 46 anos, ficou com medo, não apenas da ação de entidade incorpóreas. “Ela achava que podia sofrer alguma retaliação física mesmo, que a mulher podia se valer de algum comparsa ou contratar alguém”, relata o delegado.

Os R$ 380 mil foram pagos em três parcelas de R$ 100 mil, R$ 120 mil e R$ 160 mil. A última fatia foi entregue à professora no dia 19 de dezembro, segundo a vítima. Na semana passada, a médica procurou a polícia, que, para verificar o que ocorria, gravou um telefonema entre a denunciante e a suspeita.

“A extorsão foi comprovada. Ela pedia mais R$ 180 mil e fazia novas ameaças”, diz Carneiro. Na noite de terça, acompanhada da estelionatária, a mãe da aluna sacou o que seria a primeira parcela do novo pagamento (R$ 30 mil). A professora foi presa em flagrante, depois de receber a quantia e sair da agência bancária na Rua Halfeld, no Centro da cidade.

CAIXA DE SAPATO

Após um mandato de busca e apreensão no apartamento da suspeita, a polícia encontrou R$ 134,9 mil em dinheiro, escondidos em uma caixa de sapato, além de joias e duas carteiras de trabalho, uma delas falsificada. “O dinheiro faz parte dos R$ 160 mil pagos em dezembro. As joias são de procedência duvidosa e devem ter sido adquiridas com o resultado da extorsão”, acredita o delegado, que promete tentar recuperar o restante do valor entregue à professora. “Já pedi o bloqueio das contas bancárias dela. Vamos rastrear esse dinheiro”, promete.

A suspeita foi encaminhada ao Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Juiz de Fora. Os nomes das pessoas envolvidas no caso não foi divulgado, já que a investigação corre em segredo de Justiça.

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