Helena Mader - Correio Braziliense
Publicação: 04/02/2013 10:08 Atualização: 04/02/2013 11:54
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À medida que o luto pelos mortos de Santa Maria se transforma em revolta diante da tragédia anunciada, a troca de acusações e as tentativas de se esquivar da responsabilidade se intensificam. Assim que as lágrimas deram lugar aos gritos por justiça, representantes da Prefeitura de Santa Maria, do governo do Rio Grande do Sul e do Corpo de Bombeiros começaram a protagonizar um jogo de empurra. O incêndio que aterrorizou o Brasil completou uma semana no sábado, mas o script das entrevistas das autoridades segue o mesmo roteiro de insensatez. Em todas as declarações dadas até o momento, as autoridades fogem das responsabilidades e insistem em transferir para os outros a culpa pelo acontecimento, eximindo-se de qualquer falha própria
A troca de acusações não se restringe aos integrantes do poder público, em um país infelizmente já acostumado com o descaso das autoridades em situações de catástrofe. No meio desse fogo cruzado, os donos da Boate Kiss e os integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que teriam soltado um sinalizador no espaço fechado, também tentam como podem escapar das imputações pela maior tragédia da história do Rio Grande do Sul e uma das mais chocantes do país. O Estado de Minas elencou as principais desculpas adotadas pelos envolvidos com a fiscalização das atividades urbanas e com o monitoramento das condições de segurança. O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), apressou-se em afirmar que o Corpo de Bombeiros deveria fiscalizar os equipamentos anti-incêndio da boate. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, garantiu que a prefeitura deveria ter interditado a boate em agosto, quando venceu o alvará.
São dos donos da Boate Kiss as principais desculpas. Os empresários tentaram culpar os músicos da banda Gurizada Fandangueira, que teriam realizado o espetáculo pirotécnico, e também declararam que a operação de salvamento dos bombeiros foi desastrosa. Alegaram ter agido de acordo com as normas e reclamaram da demora na aprovação do plano de prevenção a incêndios, que tramitava no Corpo de Bombeiros. Declararam também que os militares erraram ao “usar civis” para auxiliar no resgate às vítimas, o que teria, segundo eles, potencializado o número de mortos na boate gaúcha.
Em meio à troca de acusações, a Polícia Civil investiga o caso para estabelecer a parcela de responsabilidade dos envolvidos.
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