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Minas Gerais » Universidade impõe linha dura às repúblicas de Ouro Preto Pré-seleção de estudantes e vinculação da permanência nas moradias ao desempenho acadêmico estão entre medidas da Universidade Federal de Ouro Preto para conter abusos

Estado de Minas

Publicação: 01/02/2013 10:48 Atualização:

Consumo excessivo de bebidas alcoólicas por estudantes em ouro Preto motivou a mudança de critérios de ingresso nas repúblicas. Foto: Beto Magalhães/EM/D.A. Press
Consumo excessivo de bebidas alcoólicas por estudantes em ouro Preto motivou a mudança de critérios de ingresso nas repúblicas. Foto: Beto Magalhães/EM/D.A. Press

Poucos meses depois das mortes de dois estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) em festas, a reitoria da instituição anuncia uma cruzada contra o consumo exagerado de álcool e drogas entre os alunos. A partir de agora, a Pró-reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantes (Prace) fará uma seleção de candidatos e vai submetê-la às 58 repúblicas federais na cidade, que poderão rejeitar os nomes indicados, mas terão que fazer a justificativa da recusa. Outra medida importante será a vinculação da permanência dos alunos nas moradias ao bom desempenho acadêmico deles. Um dos critérios para a seleção será a situação socioeconômica do estudante. A Ufop conta com adesão das cerca de 300 repúblicas particulares de Ouro Preto às mudanças.

As novas medidas serão acompanhadas pela campanha educativa “Avalie o seu consumo” e de outras modificações no regimento das repúblicas, que devem ser aprovadas pelo conselho universitário no fim de fevereiro. Elas foram propostas pela comissão de sindicância que investigou a morte de Pedro Silva Vieira, que morava na República Saudade da Mamãe.

“O conselho está muito tranquilo com as mudanças”, avalia o reitor João Luiz Martins, que passará o cargo ao professor Marconi de Freitas no dia 15. Presidente da Associação dos Moradores de Repúblicas Federais de Ouro Preto (Refop), o estudante de direito Luiz Philippe Albuquerque, de 22 anos, acredita que as novas medidas são positivas e devem acabar com o que ele chamou de “falsa tradição”, se referindo ao consumo exagerado de álcool.

Segundo adiantou Estado de Minas na quarta-feira, o anteprojeto de regimento estabelece também outras mudanças no processo de seleção. Entre as novidades estão a interdição a ações de marketing e propagandas nas residências estudantis, como a doação de freezers pela Ambev (Companhia de Bebidas das Américas); a abolição de hierarquias e de processos autoritários internos; promoção de formas de socialização como o esporte e a extensão acadêmica; e treinamentos de estudantes para a identificação de situações médicas graves e para prestar primeiros socorros.

“O estudante que mora em uma república federal, que não está pagando nada para morar ali, precisa saber que quem está pagando é o povo brasileiro. Então ele precisa ter um desempenho acadêmico satisfatório e nós precisamos dar um retorno para a sociedade e formar cidadãos”, defende o reitor eleito, Marconi de Freitas. Ele se diz um exemplo vivo de que morar em residências estudantis não é “coisa de outro mundo” e defende o lado positivo delas. “O convívio e a socialização que a vida em república promove são muito valiosos e são partes importantes da formação dos estudantes da Ufop. Nós precisamos aproveitar o que as repúblicas têm a ensinar e eliminar práticas que prejudicam o bom ambiente acadêmico”, diz ele.

“É uma disputa muito desigual que estamos travando contra o consumo exacerbado de álcool pela juventude. Há muita propaganda incitando o consumo. Logo que você chega a Ouro Preto há um out-door dizendo que a Ambev patrocina o carnaval na cidade”, afirma o reitor em fim de mandato. A criação de um conselho de pais, que deve se reunir no dia 22, é motivo de boa expectativa para ele, que a classifica como iniciativa pioneira em universidades federais. Outra medida ressaltada pelo professor é a eliminação gradual dos trotes, que já está sendo implantada.

O reitor eleito defende também que a comunidade ouropretana está mais aberta a transformações: “Há um desejo dos próprios estudantes de dar um novo rumo a essa convivência e a essa vida em república.” Já o presidente da Refop, Luiz Philippe, avalia que as mortes dos estudantes Pedro Silva Vieira, em 30 de novembro, e Daniel Macário de Melo Júnior, em 27 de outubro, abalaram fortemente a comunidade estudantil, que agora está mais disposta a aderir a mudanças. “O que acontece nas repúblicas é reflexo da sociedade. Sou membro da comissão que elaborou essas propostas e acho que elas só têm a acrescentar. As mortes dos estudantes no ano passado foram um baque pesado para todos nós e agora estamos mais dispostos a repensar nossa cultura e resgatar nossas verdadeiras tradições”, afirma.

Representantes de repúblicas federais Pulgatório, Nau sem ruo, Aquarius e Gaiola de Ouro não quiseram comentar as mudanças. 

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