Pernambuco.com



  • (1) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Tragédia » Enterrados em Santa Maria corpos de vítimas de incêndio em boate

Agência O Globo

Publicação: 28/01/2013 16:51 Atualização: 28/01/2013 18:00

Parentes e amigos de vítimas do incêndio na Boate Kiss acompanham enterro no Cemitério Ecumênico Municipal. Foto: Wilson Dias/ABr
Parentes e amigos de vítimas do incêndio na Boate Kiss acompanham enterro no Cemitério Ecumênico Municipal. Foto: Wilson Dias/ABr
Dezenas de sepultamentos já foram realizados nos cemitérios de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Segundo a chefe de equipe do Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria, Angelita Machado, até o final do dia devem ser feitos ao menos 70 enterros. Famílias das vítimas do incêndio na boate Kiss se despediram de seus entes queridos com muita dor, tristeza e comoção. Entre as pessoas que perderam amigos, estavam famílias e colegas de faculdade das vítimas, que eram na maioria jovens. No total, foram 53 enterros no cemitério municipal, 30 no Santa Rita, 12 no Jardim da Saudade, 12 no São José, três no Pau a Pique e outros dois no Campestre Menino Deus.

Durante os sepultamentos, três parentes de vítimas chegaram a ser levados de ambulância para o hospital, também por conta da alta temperaturas na cidade. Pelo menos mais cinco pessoas passaram mal e tiveram de ser carregadas por voluntários e soldados do Exército que trabalham no cemitério.

Segundo o G1, a mãe de uma das 231 vítimas da tragédia não resistiu ao ver o corpo do filho sendo enterrado no Cemitério Santa Rita de Cássia. Ela acompanhava o sepultamento quando desmaiou no momento em que o caixão era posicionado na cova. Nilda dos Santos Machado teve de ser amparada por amigos e parentes. Ela foi colocada em uma cadeira e se recuperou depois de alguns minutos. Nilda é mãe de Carlos Alexandre dos Santos Machado. Ele tinha 26 anos e era formado em administração de empresas.

No meio da tarde, foram sepultados os corpos de Igor Stefhan de Oliveira, que completaria 20 anos nesta segunda-feira, e Neiva Carina de Oliveira Marin. Os dois foram enterrados a menos de três metros de distância um do outro.

- Ela estava muito feliz desde que começou a trabalhar, na semana passada - diz a executiva de vendas Cláudia Couto, prima de Neiva.

Na manhã de sábado, Neiva havia postado a seguinte frase em uma rede social: "vamos para a festa ser feliz agora, porque a vida é curta".

Outras vítimas sepultadas nesta segunda-feira foram Ana Paula Rodrigues, Rogério Cardoso, Leandro Nunes da Silva, Pedro Mongertal da Silva, Luiz Carlos Ludin de Oliveira, Mirella e José Rosa da Cruz.

A maioria das vítimas do incêndio na boate foi enterrada no cemitério de Santa Maria. Desde as 7h30m desta segunda-feira, cerca de 60 homens do Exército trabalham no local limpando e tampando as sepulturas.

Para realizar os funerais, os cemitérios de Santa Maria estão com horários e serviços diferenciados. O Cemitério Ecumênico Municipal abriu para enterros a partir das 7h30m. As funerárias deverão revezar os enterros em intervalos de meia-hora. Durante a tarde de domingo, equipes do cemitério tiveram ajuda do Exército para a abertura de túmulos.

No ginásio, onde é realizado um velório coletivo, houve um ato ecumênico na manhã desta segunda-feira. Em frente à boate, moradores de Santa Maria prestam homenagem e deixam flores. A perícia no estabelecimento foi reiniciada na manhã desta segunda-feira.

O último corpo foi identificado na manhã desta segunda-feira. É o de Ana Carolina Rodrigues, natural do Mato Grosso do Sul. Não se sabe a idade ou se ela era estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A família não tem recursos para vir do Mato Grosso do Sul para reconhecer o corpo, que foi encaminhado para o Instituto Médico Legal. A Secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos vai cuidar do caso da estudante, para saber como a família poderá fazer o reconhecimento.

Cerca de 80 pessoas com quadro de intoxicação respiratória continuam internadas em estado grave em hospitais de Santa Maria e Porto Alegre após o incêndio na boate Kiss, que deixou pelo menos 231 mortos. Segundo o jornal "Zero Hora", o anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, no Centro Desportivo Municipal de Santa Maria.

O tenente-coronel Adiomar Silva, coordenador estadual da Defesa Civil, divulgou na manhã desta segunda-feira um boletim em que informa que 314 pessoas foram atendidas nos hospitais, sendo que 82 pessoas estão internadas em Santa Maria, 37 em Porto Alegre, uma em Cachoeira do Sul e uma em Ijuí. Ele está convocando as pessoas que ficaram ilesas a comparecer aos hospitais porque podem ter inalado a fumaça tóxica.

Mais três pessoas teriam morrido durante a madrugada, o que elevaria o número de vítimas fatais para 234, mas a informação não foi confirmada pela Brigada Militar. Na noite de domingo, a Secretaria de Segurança Pública divulgou a lista com o nome de 230 mortos, mas o número de vítimas fatais já chegava a 231, porque um corpo ainda não havia sido identificado.

Ainda de acordo com o jornal, sobreviventes da tragédia de Santa Maria que aparentemente saíram ilesos estão procurando atendimento médico com sintomas de intoxicação, por terem inalado a fumaça. Somente no Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), uma estimativa divulgada no fim da noite deste domingo indica que mais de 20 pessoas deram entrada na instituição nas últimas horas. Ainda no domingo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou para o risco de pneumonia química.

O desespero dos familiares marcou reconhecimento de corpos das vítimas. À medida que iam sendo identificadas, as vítimas do incêndio eram levadas ao ginásio principal do complexo esportivo da cidade, onde foi organizado um velório coletivo. Dezenas de caixões foram colocados lado a lado, com os parentes se solidarizando com o sofrimento de amigos ou conhecidos. Entre os mortos, há oito militares, um do Rio. O incêndio na boate Kiss já é o segundo com mais vítimas na história do país.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: Jorge
Precisa acontecer uma tragédia dessa para as autoridades tomarem alguma precaução com relação a segurança. Os que não aparecem, como funcionários da Prefeitura de Santa Maria que liberaram os alvarás, são tão ou mais culpados quanto os que estão presos. Por que não são responsabilizados tembém? | Denuncie |

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »