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Tragédia em Santa Maria » Boate estava em nome de laranjas

Correio Braziliense

Publicação: 28/01/2013 11:14 Atualização: 28/01/2013 14:49

Em coletiva à imprensa realizada nesta segunda-feira (28/1), delegados da Polícia Civil do Rio Grande do Sul informaram que a boate Kiss, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde 231 jovens morreram em decorrência de um incêndio, estava registrada em nome de laranjas. O local foi o palco de um cenário de terror no domingo (27/1), quando foi tomadpo por chamas após o uso de artefatos pirotécnicos durante um show.
Dois músicos da banda Gurizada Fandangueira e um dos sócios da boate foram presos em caráter temporário, nas cidades de Mata e Cruz Alta, sendo que um deles ainda está internado em observação, porque teria inalado fumaça. Uma quarta pessoa também teve a prisão decretada e deve se apresentar ainda hoje. Também já foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

A polícia havia recebido a informação de que a casa noturna teria câmeras de segurança, cujas imagens poderiam ser utilizadas na investigação. No entanto, no local do incêndio, nada foi encontrado por eles. As buscas foram estendidas às casas dos sócios, mas sem sucesso. Segundo a administração da boate, os aparelhos estariam sem funcionar havia três meses. A polícia, no entanto, suspeita que as imagens tenham sido subtraídas.

Vinte depoimentos já foram prestados e três perícias foram realizadas na boate. A última ocorreu esta manhã. O governador do estado, Tarso Genro, disse que a principal questão neste momento “é saber as causas do incêndio, para que possam indicar a responsabilidade de cada um”. Genro ressaltou que a polícia precisa ter um corpo de provas que indique a causa do fogo. Ele também se disse orgulhoso pelo empenho da polícia, que efetuou um trabalho em duas frentes: a primeira centrada no reconhecimento e liberação de corpos e a segunda, realizada agora, é a investigação, que buscará, segundo ele, punir todos os responsáveis, direta ou indiretamente, pela tragédia.

Despedida - Após um domingo marcado pela dor e sofrimento dos familiares e amigos das vítimas do incêndio em Santa Maria, os cemitérios locais realizaram uma força-tarefa para que os sepultamentos ocorram o mais rápido possível. A tragédia contabiliza 231 mortos e 106 feridos, de acordo com a lista final divulgada pela Secretaria de Segurança e pela Defesa Civil do estado. As vítimas, em sua maioria, morreram provavelmente intoxicadas pela fumaça.

A presidente Dilma Rousseff, que encurtou a viagem ao Chile para se encontrar com os familiares das vítimas, decretou luto oficial de três dias no país. Desde a tarde de ontem, as bandeiras na Esplanada dos Ministérios e no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, estavam a meio mastro. O prefeito de Santa Maria (RS), Cezar Schirmer, decretou luto oficial de 30 dias na cidade.

A tragédia também foi recebida com pesar na capital federal. O Governo do Distrito Federal (GDF) decidiu cancelar a cerimônia que marcaria a contagem regressiva para os 500 dias da Copa do Mundo. Em nota oficial, o GDF disse que "o governador lamentou o ocorrido no Rio Grande do Sul" e que este é um domingo de tristeza para todo o povo do Distrito Federal.

O acidente
- O fogo começou durante a madrugada, a partir de um sinalizador utilizado pelo grupo musical Gurizada Fandangueira, que se apresentava no local, segundo os bombeiros. Ao menos no início, a porta de saída foi bloqueada pelos seguranças, que tentavam fazer com que as pessoas pagassem a entrada antes de sair, segundo sobreviventes. Em meio à fumaça intensa, as pessoas entraram em pânico e acabaram pisoteando umas às outras.

A licença de regularidade expedida pelo Corpo de Bombeiros estava vencida desde agosto de 2012, indicaram as autoridades. Em comunicado, a administração da casa informou que "tudo estava em ordem" e que o ocorrido foi "uma fatalidade".

Identificação de corpos - Um desencontro de informações marcou a contagem do número de mortos. As autoridades de segurança se reuniram na manhã de hoje e revisaram novamente para 231 o número de pessoas falecidas após o incêndio. Durante a madrugada, a Polícia Civil do estado havia divulgado os nomes de mais três pessoas. No entanto, elas já configuravam a lista do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que realizou a identificação.

A Defesa Civil divulgou também o registro de 121 pessoas que ficaram feridas. Desse total, 80 estão em estado grave, segundo o boletim. Em Santa Maria estão internadas 82 pessoas, 35 delas respirando com o auxílio de aparelhos. Em Porto Alegre há o registro de 37 internados. Uma pessoa foi hospitalizada na cidade de Cachoeirinha e outra em Canoas. Ao todo foram realizados 314 atendimentos a feridos.

A tragédia é considerada a quinta maior em número de mortos no país; a terceira maior em casas noturnas no mundo; e é também o segundo pior incêndio da história do Brasil, após o ocorrido em um circo de Niterói em 1961, que deixou 503 mortos.

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