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NoRio » Acidente com ônibus da 1001: laudo não descarta falha humana

Diario de Pernambuco - Diários Associados

Publicação: 24/01/2013 08:42 Atualização: 24/01/2013 10:29

Peritos concluíram que, apesar de um pneu dianteiro estar careca e de o freio motor não estar funcionando, o ônibus da Viação 1001 que despencou num barranco em outubro do ano passado, na BR-116 (Rodovia Rio-Teresópolis), poderia ter sido parado pelo motorista com o sistema normal de freios.

Por isso, o laudo da perícia realizada pela Polícia Civil, de acordo com informações do site G1, não descarta a possibilidade de uma falha humana ter sido a causa do acidente, que deixou 15 pessoas mortas. Para chegar à conclusão que consta do documento, os peritos fizeram testes num ônibus similar ao da tragédia. De acordo com os exames, o freio de serviço do veículo consegue controlá-lo mesmo que o freio motor não esteja operando.

O inquérito sobre a tragédia está na 67ª DP (Guapimirim) e deverá ser concluído nos próximos dias. De acordo com um trecho do laudo, "afirmam os peritos que o veículo (...) possuía capacidade de frenagem, mesmo na ausência do freio motor, não tendo elementos materiais para identificar os motivos que levaram o condutor a não efetuar a frenagem, não descartando a hipótese de falha humana do condutor". Procurada pelo G1, a Viação 1001 disse que ainda não havia recebido o laudo e que não ia se pronunciar sem ter acesso ao documento.

De acordo com a perícia feita no local da tragédia dois dias depois, o ônibus, que fazia a linha Itaperuna-Rio, estava a 80km/h no momento do acidente, velocidade acima da permitida naquele trecho, que é de 60km/h. Para fazer essa constatação, especialistas do Instituto de Criminalística Carlos Éboli recolheram o tacógrafo, equipamento que registra a velocidade do ônibus. Outra constatação da polícia foi que não havia marcas de frenagem na pista.

De acordo com testemunhas, o veículo descia a serra com o pisca-alerta ligado e bateu em outro carro antes de cair no barranco. Levantou-se a hipótese de que o motorista teria passado mal. Essa tese, no entanto, foi descartada por três testemunhas, como informou o delegado Alan Luxardo, titular da 67ª DP.

O ônibus deixou Itaperuna às 9h do dia 22 de outubro com 29 passageiros. Mas é possível que mais pessoas tenham embarcado pelo caminho.

 

O acidente ocorreu por volta das 14h30m, no quilômetro 102 da Rio-Teresópolis, em Guapimirim. A sete quilômetros dali, o ônibus chegou a parar num trecho em que o tráfego estava em sistema de pare e siga - o que mostra que o sistema de freios até então estava funcionando.

 

Antes de despencar na ribanceira, o veículo derrubou árvores. Com a força do impacto, dois corpos foram lançados pela janela. Entre os mortos estava o próprio motorista do coletivo, Eduardo Fernandes.

Ônibus bateu em carro

A técnica de enfermagem Sônia Maria Rodrigues seguia para Teresópolis de carro com o marido quando o ônibus desgovernado invadiu a pista de subida e acabou se chocando com a lateral de seu veículo.

"Ele bateu na gente e entrou direto no mato. Foi um susto terrível." contou ela no dia da tragédia.

Também no dia, Leandro Passareli, morador da região que ajudou os bombeiros a resgatarem as vítimas, disse ter ouvido relatos de que o ônibus estava sem freio.

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