Publicação: 08/01/2013 08:34 Atualização:
O neurocirurgião Mario Lapenta – que operou a menina Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, atingida por um tiro na cabeça na noite de Natal – isentou ontem o colega Adão Crespo Rodrigues da morte da criança. Em depoimento na tarde de ontem na 23ª Delegacia de Polícia, o médico afirmou que mesmo que Adrielly tivesse sido atendida imediatamente dificilmente ela teria sobrevido, devido à trajetória da bala que atingiu sua cabeça. Mario Lapenta prestou depoimento ao delegado titular que investiga a suposta omissão de socorro a Adrielly. O chefe da equipe de plantão na noite de Natal, Ênio Eduardo Lima Lopes, não compareceu à DP ontem para depôr e poderá responder por crime de desobediência.
Ferida por uma bala perdida, Adrielly teve de esperar mais de 8 horas para ser operada porque o médico Adão Crespo, escalado para o plantão daquela noite, não foi trabalhar. Ela morreu onze dias depois – embora a Secretaria municipal de Saúde já tivesse confirmado sua morte cerebral na noite do dia 30. O corpo da menina foi sepultado na tarde de sábado passado, no Cemitério de Inhaúma, Zona Norte do Rio.
Em estado de choque, a mãe da menina, Adriana Santos, passou mal no velório, na Capela Santa Cássia, e não conseguiu comparecer ao enterro. Cerca de 60 pessoas acompanharam a cerimônia, entre parentes e amigos. Muito emocionado, o pai de Adrielly, Marco Antônio Vieira, chegou a desmaiar algumas vezes durante o sepultamento e foi amparado por amigos. Ele culpou as autoridades públicas, a administração do hospital e o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Guimarães.
Na sexta-feira passada, três dos cinco médicos do Hospital Salgado Filho prestaram depoimento na 23ª DP. Entre eles estava José Renato Paixão, chefe do setor de neurologia do hospital. Ele confirmou ter recebido um telefonema, na véspera do plantão de Natal, do neurocirurgião Adão Orlando Crespo Rodrigues avisando que não iria ao serviço no dia em que Adrielly deu entrada no hospital.
Segundo José Renato, não foi possível escalar outro plantonista por carência de profissionais na unidade. “Ele deveria ter ido ao plantão, porque não havia como substituí-lo”, disse. Também foram ouvidas pelo delegado Luiz Archimedes duas médicas do Salgado Filho: Maria Estela e Nícia Portela.
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