BikePE Bicicletas elétricas cada vez mais comuns no Recife O uso do modal agrada aqueles que querem velocidade sem tanto esforço físico. Apesar da crescente adesão, legislação ainda é confusa. Entenda as normas

Publicado em: 27/09/2013 11:25 Atualizado em: 27/09/2013 15:54

As bikes elétricas podem ser divididas entre pedelecs e mopeds. Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press
As bikes elétricas podem ser divididas entre pedelecs e mopeds. Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press
Bicicletas elétricas estão cada vez mais populares. Na China, país onde elas são se multiplicam rapidamente, 28 milhões de unidades foram vendidas em 2013, enquanto os carros atingiram a marca de 19 milhões. Nas cidades brasileiras o mercado vem se expandindo e cada vez mais pessoas buscam conhecer as vantagens das e-bikes. Elas são movidas a baterias recarregáveis, que possuem em média autonomia para trafegar por até 60km, e são também consideradas ambientalmente corretas, por serem dependentes de energia "limpa" e não produzirem ruídos advindos de motores movidos à combustão. Para muitos, a grande vantagem da bicicleta elétrica é a possibilidade de receber um apoio durante a pedalada, atingindo velocidades maiores e com menor esforço físico.

Segundo legislação da União Europeia (UE), as bikes elétricas podem ser divididas entre pedelecs e mopeds. As pedelecs são sujeitas a mesma legislação das convencionais, e para isso devem possuir potência máxima de 0,25kW, ser movidas a pedaladas e atingir no máximo 25km/h. As mopeds são as que atingem velocidade e potência superiores e, portanto, possuem normas específicas (como uso de capacete e emplacamento). José Otávio Meira Lins, proprietário da rede de hotéis Mar Olinda e conselheiro da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis de Pernambuco (ABIH), adotou as bicicletas elétricas há mais de dois anos. Ele possui dois exemplares do modal e dirige com frequência a que seria considerada uma moped para seus deslocamentos diários, complementado a pedlec e outros modais.
 Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press
Foto: Bruna Monteiro/DP/D.A Press

"A bicicleta que mais uso parece uma vespa, tem o alcance de até 50km/h e é totalmente elétrica. Uso um capacete leve e me visto normalmente, para ir ao trabalho. A grande vantagem dela é que une velocidade sem grande esforço físico, então não sofro tanto com os efeitos do calor, por exemplo". O conforto da elétrica é escolhido por José Otávio para seus trajetos durante o trabalho, mas ele não dispensa a bicicleta convencional no restante do dia. Pedala 2km diariamente e distâncias mais longas no fim de semana. "Tenho um carro que quase não tem quilometragem, porque descobri novas formas de me deslocar".

O maior motivo para substituir o carro é semelhante à reclamação que muitos recifenses enfrentam todos os dias: o trânsito intenso. "Não dava pra ficar nesses engarrafamentos horríveis, eu precisava de agilidade para me deslocar sem me cansar muito. Então a bicicleta elétrica era uma opção ideal. Ainda tem a grande facilidade de estacionar e fazer pequenas paradas, que o carro não tem. Hoje já tem um funcionário do hotel que realiza suas funções e deslocamentos numa bike elétrica também e é muito melhor". A necessidade de carregar materiais potencialmente pesados é um dos motivos alegados por quem não quer abrir mão do carro. José Otávio afirma que isso não é um empecilho na bicicleta elétrica. "Consigo carregar peso sem problemas. Com a instalação de um pequeno ganchinho na bike, vou ao mercado e carrego sacolas com facilidade". O sistema é prático e semelhante aos diversos tipos de bagageiro que podem ser inseridos nas bicicletas convencionais.

Para o empresário, a capital pernambucana é um local excelente para o uso das bicicletas. Além dos constantes engarrafamentos e paralisação de vias (com obras e protestos), o terreno plano de boa parte da cidade é um grande atrativo. "Não considero a bicicleta elétrica muito boa para subir ladeiras porque elas geralmente têm potência muito baixa. Mas consigo me locomover com elas pela maior parte da cidade, o que é muito bom. A bicicleta elétrica é excelente para quem velocidade sem esforço físico e quem gosta do silêncio, porque ela não é barulhenta como as motos. Se o preço baixar iria ser muito popular". Em geral, o preço destas bikes variam entre R mil e R mil reais. Além de não ser acessível para todos os bolsos, a bicicleta ainda é considerada complicada nos aspectos de legislação de trânsito. "Há muita desinformação e falta de conhecimento sobre as bicicletas", afirma José Otávio. "Fui parado pela Polícia Militar várias vezes enquanto pedalava em locais para bicicletas e tive que explicar como era o veículo todas as vezes. Agora trafego apenas nas faixas compartilhadas".

Atualmente o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) está em fase final de estudos para uma nova regulamentação das bicicletas elétricas, com o intuito de esclarecer e simplificar suas normas. Enquanto isso, o Departamento informa que as bicicletas elétricas possuem as mesmas características dos cicloelétricos (veículo de duas ou três rodas, com potência máxima de 4kw, peso máximo de 140kg e velocidade máxima de 50km/h) e devem se basear na legislação de trânsito dos ciclomotores. Os equipamentos obrigatórios são: espelhos retrovisores de ambos os lados, farol dianteiro (branco ou amarelo), laterna traseira (vermelha), velocímetro e buzina, além de pneus "que oferecem condições mínimas de segurança". Cada Estado e município tem autonomia para legislar sobre a sua regulamentação, o que inclui a possibilidade da exigência da Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC). Neste caso, o interessado teria que realizar provas e testes semelhantes aos que desejam tirar a carteira de motorista (a única diferença entre um candidato à condução de categoria A e do ciclomotor, por exemplo, é o tipo de veículo usado na prova prática). No Recife, o teste não é requisitado e as bicicletas elétricas não são paradas na blitz da lei seca.

Inovação

Com a ideia de transformar qualquer bicicleta convencional em uma elétrica e aproveitando a prática do financiamento coletivo, o sistema "Rubbee" conseguiu coletar cerca de 230 mil reais e vai sair do papel. O preço de mercado será em torno de 2.700 reais (£799), com a vantagem de que o dispositivo pode ser usado em mais de uma bicicleta, além de "rodar" em diversos tipos de bike. O Rubbee funciona a partir da fricção com a roda da bicicleta, impulsionando o seu giro e permitindo que o ciclista atinga até 25km/h com ou sem a ajuda dos pedais. O dispositivo serve para pneus que variam entre 16 e 29 polegadas e que encaixe em canotes de selim entre 22 e 35mm, o que abrange a maioria das bicicletas do mercado. Clique aqui e conheça mais (site em inglês).

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