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BikePE Aprenda a pedalar e a transitar na cidade Projeto Bike Anjo ajuda quem tem vontade de desbravar a cidade

Por: Laís Araújo - Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/05/2013 10:44 Atualizado em: 02/05/2013 11:42

Ênio Paipa é um dos voluntários do Bike Anjo e se diz motivado pela vontade de ver mais pessoas pedalando. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Ênio Paipa é um dos voluntários do Bike Anjo e se diz motivado pela vontade de ver mais pessoas pedalando. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

 
Para muitos ciclistas iniciantes, a vontade e o medo de começar a pedalar pela cidade são equivalentes. A preocupação com o trânsito, a dúvida sobre o trajeto ideal e a incerteza de como se portar enquanto veículo atrasam – ou afastam – muita gente do pedal urbano. Pensando nisso, um grupo voluntário de São Paulo criou o projeto Bike Anjo, que busca ajudar quem quer começar a fazer seus trajetos cotidianos de bicicleta, mas ainda não possui confiança suficiente. O grupo se expandiu e chegou ao Recife, onde no último domingo de todo mês ocorre a EBA (Escola Bike Anjo) em que voluntários e iniciantes se reúnem no Parque da Jaqueira, Zona Norte do Recife, para uma manhã de pedalada e orientações. O próximo será no dia 26 de maio.

Ênio Paipa, voluntário do projeto que funciona na cidade desde 2011, conta que se resolveu se voluntariar pela vontade de ver mais ciclistas na rua. “Essa motivação principal não é só minha, mas de todos que fazem o Bike Anjo no Brasil e no mundo. Depois vem a questão de ajudar as pessoas, ter uma cidade mais humana e fazer novos amigos”. Atualmente, o Bike Anjo está presente em diversas cidades brasileiras, como Curitiba, Rio de Janeiro, Manaus, Teresina e Belo Horizonte, além da existência de sistema semelhante, o Bike Buddy, em Portugal. “Eu já tentava ajudar as pessoas a pedalarem, mas oficialmente, como Bike Anjo, minha primeira experiência foi com uma amiga de Olinda. Até hoje ela utiliza a bicicleta para fazer deslocamentos por perto de casa e participa dos movimentos pró-bicicleta em Recife”.

Segundo ele, não há uma padronização entre quem procura o projeto. “Atendemos pessoas de diversos perfis. O público variado significa que a bicicleta é um veículo que todos podem utilizar, seja homem, mulher, jovem ou idoso. Não importa! A motivação e a vontade de pedalar transcende um perfil”. Em geral, dez ciclistas solicitantes e seis voluntários aparecem em cada domingo. “Mas sempre conseguimos atender todas as pessoas”. Além dos domingos fixos, é possível combinar data e horário com um bike anjo disponível e receber orientações e dicas de roteiros. Há voluntários em diversos pontos da Região Metropolitana do Recife (RMR).

Das muitas pessoas atendidas em cada domingo, Ênio afirma que vê todas as histórias como emocionantes, mas consegue citar uma como especial. “Na primeira EBA fui instrutor de Sérgio, na época com 36 anos e acima do peso, quando começou uma chuva torrencial. Paramos um pouco e ele me disse que não aprenderia a andar de bicicleta nunca. Que tinha ensinado ao filho, mas que não conseguiria. Não hesitei em apostar que ele sairia dali pedalando. E aí mesmo debaixo de chuva, com uma bicicleta inapropriada pra o seu tamanho, circulamos várias vezes pelo parque e ele conseguiu pedalar sozinho no final. Ver Sérgio emocionado foi uma das melhores sensações que senti na vida. Ser parte da realização dos sonhos das pessoas é um sentimento indescritível. Foi muito bom aquele dia!”.

Antonietta Amaral é uma das pessoas que pretende usufruir dos serviços oferecidos na Escola Bike Anjo. Aos 28 anos, a estudante de pedagogia não sabe andar de bicicleta. “Pedalei poucas vezes. Meu pai achava perigoso, que eu poderia me machucar e nunca me deu uma bicicleta. Diferente dos meus irmãos, que sempre pedalaram”. Com a intenção de aprender o básico e depois adquirir confiança para andar pela cidade, Antonietta se sentiu motivada a voltar a andar por causa do incentivo de uma amiga. “O que me levou a querer pedalar agora foi a motivação de vários amigos, em especial uma, Emanuella, que sempre vai às pedaladas. Sou a única amiga dela que não vai porque não sabe andar”. A amiga indicou o Bike Anjo como solução para ter a companhia de Antonietta nas pedaladas.

A estudante acredita que começar a andar de bicicleta vai trazer benefícios no seu cotidiano. “Poderia economizar tempo e dinheiro. Minha amiga sai de Boa Viagem para a UFPE de bicicleta. Eu moro na Iputinga e dependo do ônibus”. Sobre o projeto, Antonietta não economiza elogios. “Eu adorei a ideia. É uma iniciativa maravilhosa. Assim você vê como pequenos atos podem melhorar a vida do outro”.

Todo mundo já foi iniciante

Hoje instrutor, Ênio Paipa também teve seu tempo. “Em 2007 eu já pedalava como lazer, cerca de 20km por dia. Mas foi só em março de 2010 que resolvi adotar a bicicleta como meu principal meio de transporte e ser mais ativo nas causas cicloativistas”. Ele conta que passou a pesquisar os usos da bicicleta e sua legitimidade como veículo, inclusive lendo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) pra entender quais direitos e deveres eram dados ao ciclista. “Essas pesquisas e a prática diária tornaram o trânsito um pouco mais natural pra mim. De 2010 até hoje, o respeito em relação aos ciclistas melhorou e a tendência é apenas de ficar melhor, já que o número de ciclistas vem aumentando consideravelmente. Falta muita campanha educativa, infraestrutura para uma convivência melhor nas cidades. Suprindo isso, pedestre, ciclistas e motoristas poderão conviver de forma saudável e respeitosa”.

Clique aqui para conhecer a página do projeto ou mande um e-mail para: bikeanjorecife@gmail.com.

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