Cinema Documentário com autistas pernambucanos estreia nos cinemas do país nesta quinta A produção de Flávio Frederico e Mariana Pamplona tem a intenção de mostrar a realidade que os pais enfrentam logo após identificarem o transtorno em seus filhos

Por: Samuel Calado - Redes Sociais

Publicado em: 16/05/2018 21:09 Atualizado em: 23/05/2018 22:21

Foto:Divulgação
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Nesta quinta-feira (17), estreia nos cinemas de todo o Brasil o documentário brasileiro Em um mundo interior, que retrata o cotidiano de sete crianças autistas. A produção humanista de Flávio Frederico e Mariana Pamplona tem a intenção de mostrar a realidade que os pais de diversas regiões do país enfrentam logo após identificarem o transtorno em seus filhos, bem como a ausência de instituições especializadas que amparem à família. Parte do filme foi gravada na Associação de Família para o Bem Estar e tratamento das pessoas com autismo (Afeto), no bairro da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. Isso corresponde a 1% da população mundial. No Brasil, 2 milhões de pessoas têm algum grau do transtorno. A psicóloga Bárbara Souza, explica que o diagnóstico precoce é bastante importante pois facilita o trabalho de desenvolvimento com as crianças. "É importante os pais estarem atentos e procurarem profissionais especializados, como neurologistas e pediatras". 

De acordo com a presidente da Afeto, Angela Lira, este filme vai possibilitar que haja mais visibilidade a temática e atenção por parte do poder público ao atendimento de qualidade. "Há 18 anos não existia nenhum centro especializado na capital pernambucana, nem se quer diagnóstico existia". 

No Recife, o filme será exibido todos os dias, até o dia 30 de maio, sempre as 19h, no Cinemark Rio Mar. As entradas custam R$ 12 a inteira e R$ 6 a meia, respectivamente.
 
Resposta da CPPL

Em resposta, o Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem (CPPL), fundado em 1981 no Recife, relata que entre os anos de 2014 e 2015, a produtora do documentário, Mariana Pamplona, estabeleceu contato com a instituição via e-mail, contudo, mesmo após terem firmado o compromisso de participar da produção a equipe de filmagem não os procurou. 

Segundo a empresa, nos 37 anos de existência, a mesma tem em sua história a idealização de um projeto pioneiro interdisciplinar para acolhimento de crianças com autismo e suas famílias que perdura até hoje, além de capacitações e livros publicados sobre a temática. Ao todo já foram acompanhadas cerca de 1.200 crianças. Através do estabelecimento de parcerias com serviços e profissionais de diversas áreas, a instituição tem realizado trabalhos de sensibilização e capacitação para o diagnóstico precoce dos distúrbios da infância e, na última década, temos acolhido crianças, cada vez menores, em tratamento interdisciplinar individual e em grupo, bem como seus pais e demais familiares.

Confira:  
 
A CPPL explica que atualmente, o campo do autismo está muito polarizado entre profissionais que atuam com uma visão comportamental do autismo e aqueles que são orientados por uma visão humanista na qual se inclui a psicanálise.
Independente de resultados apresentados por essas perspectivas, entendemos que o que está de fato em jogo são duas visões do humano: uma centrada no comportamento que deve ser modelado e adaptado e outra centrada no princípio da singularidade do indivíduo que leva à busca de estratégias terapêuticas e construções de soluções únicas para cada um. Assim, temos nos posicionado no sentido de que as duas abordagens não se diferenciam nem pela eficácia nem pelos resultados apresentados. Ambas têm seus sucessos e seus impasses e temos deixado isso claro para as famílias que nos procuram. Para nós não se trata de eliminar uma abordagem ou outra com o pretexto de que uma é mais certa, mais científica ou mais eficaz. Trata-se, sim, de uma escolha movida pela identificação das famílias com os princípios e a forma de trabalho de uma abordagem ou outra.

Hoje, diferente de 20 anos atrás, temos inúmeros relatos de pessoas com autismo que falam, elas próprias, de suas experiências de tratamento com essas diferentes abordagens e neles são narradas experiências positivas e negativas com ambas. Logo, a convivência ética e respeitosa entre essas abordagens é fundamental, porque abre possibilidades diversas para as pessoas com autismo e suas famílias. Portanto, nós, profissionais do campo, não podemos restringi-lo, muito menos atuar de forma excludente. Esse é um pressuposto ético do qual não podemos nem devemos abrir mão e, por isso, nos sentimos convocados a dialogar com essa matéria que, ao omitir informações sobre a existência de diferentes instituições e abordagens de tratamento na nossa cidade, restringe as possibilidades de escolha das pessoas com autismo e suas famílias.

  
 
Serviço
Em um mundo interior
Local: Cinemark Rio Mar 
Período: Entre os dias 17 e 30 de maio 
Horário: 19h 

Confira o trailer:



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