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Turismo » Poços de Caldas, em Minas Gerais, oferece patrimônio histórico, gastronomia variada e banhos termais Fincada nas cumeeiras da Serra da Mantiqueira, a cidade fica a 1,3 mil metros de altitude

Ricardo Japiassu

Publicação: 22/04/2018 13:48 Atualização: 22/04/2018 14:07

Vale a pena visitar o Parque Affonso Junqueira. Foto: Divulgação.
Vale a pena visitar o Parque Affonso Junqueira. Foto: Divulgação.
A primeira impressão que passa ao turista é de que, aqui, todos estão de bem com a vida. Também pudera: uma cidade onde os carros param, sem sinal de trânsito, para os pedestres atravessarem as ruas, é um luxo. Fincada nas cumeeiras da Serra da Mantiqueira, no lado Sul de Minas Gerais, a 1,3 mil metros de altitude, Poços de Caldas, a maior e a primeira estância hidromineral da América Latina, representa também um luxo para quem pretende intentar viagem de repouso e bonança. 

Além do frescor da natureza - as temperaturas, de outubro a março, ao meio-dia, não ultrapassam os 21 graus -, há águas sulfurosas jorrando para os banhos a 37 graus e, no lençol freático, atingindo uma temperatura de 45 graus. Logo num primeiro momento, para o benefício do corpo e da mente, o ideal são os banhos nas Thermas Antônio Carlos ou nas Termas dos Macacos, esta última situada na praça do mesmo nome. O balneário era frequentado pelo imperador dom Pedro II, os literatos Olavo Bilac e João do Rio, a atriz Carmem Miranda e outros famosos. 

Os banhos oferecidos nas Thermas Antônio Carlos (custando R$ 40) têm 20 minutos de imersão em banheiras de porcelana refratária inglesa. O prédio foi inaugurado em 1931, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1985 e restaurado por completo em 2014, em obra cujo orçamento atingiu R$ 12 milhões. A visita a esse estabelecimento neoclássico, cujo vitral ao centro do teto se destaca em beleza, é ainda mais valorizada por um passeio pelo parque circundante. 

Fincadas em meio ao exuberante Parque Affonso Junqueira, sem dúvida alguma vale uma espiada nas roseiras da praça em frente ao histórico e palco de novelas da TV Globo, o Palace Hotel. Sem dúvida o melhor da cidade – contando quatro estrelas – onde não é preciso se ausentar para dispor dos banhos termais, dos jogos e da típica cozinha mineira. Em frente, aos domingos, há a feirinha típica, onde se comercializam artesanato e peças em tricô. Nos 53 hectares do local, se destaca também o coreto, no qual, aos sábados à noite, há baile para os idosos que dançam ao som da retreta. 

Durante o dia, turistas podem passear por entre 1.168 árvores centenárias vindas dos cinco continentes. O parque recebeu investimentos em restauro na ordem de R$ 1,5 milhão, sem deixar de lado o projeto inicial do arquiteto João Neves. 

Fonte - 
Em meio ao parque, à saída das Thermas Antônio Carlos, encontra-se a delicada Fonte dos Leões. Esculpida em mármore, o monumento é composto apenas de três faces dos bichos, numa inspiração barroca, e jorra água mineral de imenso frescor. Em cada recanto da cidade, um nicho. E o que não faltam são opções: restaurantes, choperias, malharias e os inigualáveis sabonetes artesanais. 

A cidade tem 53 hotéis, contando 9,3 mil leitos. No feriado de Corpus Christie do ano passado registrou, segundo o seu Sindicato dos Hotéis, uma taxa de ocupação na ordem de 91%. Para tanto, reunindo interesses diversos, criou-se o Convention Bureau, que conglomera 58 empresas de todo os segmentos econômicos da cidade. “Todos lucram com o turismo”, festeja Ricardo Oliveira, secretário municipal da pasta. 
Relógio de flores é atração na cidade. Foto: Divulgação.
Relógio de flores é atração na cidade. Foto: Divulgação.

Opulência que vem dos tempos do brasil império 
Refúgio do imperador dom Pedro II, a cidade situada no Sul de Minas, a 461 quilômetros de Belo Horizonte, recebe o turista  com um charme que resgata os tempos nos quais a nobreza brasileira transitava nas termas e nos casarões. O destino é ideal para quem procura um passeio regado a bom gosto e tranquilidade, longe da agitação urbana>
 
Um mundo de sabores, dos doces à mortadela 
Para os afeitos ao pecado da gula, nada melhor do que o Mercado Municipal. No prédio do italiano José Carlos Garibaldi há 193 boxes internos e 54 externos. Impecavelmente limpo, o ambiente tem entre seus destaques o delicioso sanduíche de pão d’água (o nosso pão francês), com fatia generosa de mortadela, acompanhado de chopinho artesanal tinindo de gelado. De sobremesa, fatias de doce de leite com marolo, fruta típica do sul mineiro que ocorre apenas entre os meses de março e abril. O doce de cidra, nos tons variados de verde, ou mesmo do figo verde cristalizado, também constituem belas opções. 

Aos mais requintados, vale um lanche no Instituto Moreira Sales. Primeira instituição dessa rede no Brasil, funciona em prédio construído em 1894, com modelo tirolês austríaco em tons do azul, apelidado de chalé monarquista, ostentando lambrequins brancos que adornam o telhado e bandeiras de ferro sobre as portas altas. O café mineiro, de preferência ao entardecer, seguido de tortas de café ou de chocolate (receitas desta região) é boa pedida. Inteiramente restaurado em 1992, apresenta ao visitante, na ala moderna, uma exposição histórica sobre a cidade. 

Há também recitais, peças e apresentações musicais neste pavilhão de arquitetura moderna, ocupando mil m2. Destaca-se ainda a presença de escritores que debatem e palestram sobre as obras literárias de punho, ou mesmo sobre a literatura. Tudo de muito bom gosto. 

Entre passeios de charrete e cristalerias 
Outra bela opção são os passeios de charrete por entre as cristalerias. A primeira parada para a compra dos muranos é no Argentino, apelido concedido ao escultor de bichinhos (patos, elefantes, peixes etc). Em tons variados e compondo jogos de mais ou menos cinco peças, são comercializados a R$ 10 o jogo. Porém as aventuras deste refinado passeio não findam aqui. Seguindo pela avenida chega-se à Cá D’Oro. Traduzindo: Casa do Ouro, local onde se pode presenciar a feitura do legítimo cristal italiano. 

Contrastando com a amenidade do clima urbano, na indústria as temperaturas são elevadas. Das janelas de vidro espesso, observa-se a fundição da areia, dando vida à beleza. Sem dúvida, um luxo de requinte. Comandada desde 1990 por Adriano Seguso, filho do muranense Mário Seguso, radicado no Brasil desde 1954, a critaleiria oferece peças mais simples e outras muito requintadas, como objetos rebordados em ouro. Há preços para todos os gostos. “Nossa preocupação é com a qualidade dos artesãos, que mantêm viva a tradição de feitura dos cristais”, revela Adriano. 

Para se conhecer a cidade e desfrutar de todo seu esplendor, nada melhor que uma média de quatro a cinco dias de estadia. Há muito que se fazer e, claro, com muita calma. Aproveitar os banhos, os passeios e conhecer as tradições mineiras. Descobrir as ruas, os chalés da nobreza brasileira que fugia do pestilento e quente verão carioca, ainda preservados. Assim, se justifica porque dom Pedro II escolheu estas águas. 

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