Notícias, Esporte, Pernambuco, Política, Tecnologia, Vídeos, Fotos, Mundo, Divirta-se

Pernambuco.com

Recife, 15/DEZ/2017
 
cheia

  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Vinhos » A festa da uva no Chile Brasileiros estão começando a participar da Vindima, a colheita da fruta que é celebrada com bons vinhos

Edilson Segundo

Publicação: 08/04/2017 10:00 Atualização: 14/04/2017 15:28

Vinícola Estancia el Cuadro é uma das maiores da região do Vale de Casablanca, no Chile. Foto: Edilson Segundo/DP
Vinícola Estancia el Cuadro é uma das maiores da região do Vale de Casablanca, no Chile. Foto: Edilson Segundo/DP

O brasileiro está descobrindo o enoturismo fora do país. O Chile é o destino principal quando o assunto é provar, comprar e conhecer a produção do vinho através de visitas a vinícolas. Nesta época do ano, quando ocorre a colheita da uva, a chamada Vindima, cerca de 80% daqueles que participam desta festa são estrangeiros. Norte-americanos, argentinos, uruguaios, europeus, e claro, brasileiros. Nosso público representa 30% desse total. Todos em busca de um único objetivo: passear pelos vinhedos e saborear os mais diversos vinhos e espumantes produzidos numa das principais regiões da América do Sul.

As visitas às vinícolas acontecem principalmente na região Centro-Sul do Chile, nos arredores da pequena cidade de Casablanca, província de Valparaíso, distante 75 km da capital Santiago. O município tem aquela característica de cidade do interior. Uma praça central, bancos no entorno, árvores, uma fonte jorrando água e uma igreja. É lá, na Plaza de Armas, onde toda a população se concentra para um dos principais festejos do ano: a Vindima. A festa reúne dezenas de produtores de vinho da região durante dois dias. No palco tem apresentações culturais, shows, concurso de rainha da uva e sorteios de garrafas de vinho.

Festival do vinho reúne famílias na praça central de Casablanca. Foto: Edilson Segundo/DP
Festival do vinho reúne famílias na praça central de Casablanca. Foto: Edilson Segundo/DP

O ingresso para participar da Vindima é a compra de uma taça. Os preços variam de 6 mil a 10 mil pesos chilenos (entre R$ 28 e R$ 80) e dá direito a degustações de vinho, espumante e petiscos. Com a taça na mão é hora de percorrer os estandes e experimentar. Tem vinho de todo tipo: mais forte, mais fraco, suave, seco, doce e premium. Sem filas e tumulto, cada um se serve e vai apreciar a bebida sentado no gramado da praça ou em mesas estrategicamente colocadas ao redor do espaço. Famílias inteiras saem de casa para comemorar. Parece uma quermesse em plena luz do dia.

Mas a festa não só se concentra na praça. As vinícolas abrem ao público e recebem os visitantes com requinte. Degustações, almoço e petiscos estão inclusos nos pacotes. Na charmosa La Recova, cuja especialidade é o savignon blanc, o turista faz uma imersão no mundo do vinho. O valor varia de 14 mil a 35 mil pesos chilenos (entre R$ 65 e R$ 165). O dono, o brasileiro radicado no Chile, David Giacomini, de 44 anos, é o próprio guia. Ele explica todo o processo de plantação da fruta até a colheita. Formado em engenharia industrial e desde os 13 anos morando em Casablanca, David aprendeu com o pai a apreciar o vinho. “Minha mãe se casou com um chileno e desde criança via meu pai bebendo vinho. Era tradição”, contou.

A vinícola boutique Catrala produz por ano 165 mil garrafas. Foto: Edilson Segundo/DP
A vinícola boutique Catrala produz por ano 165 mil garrafas. Foto: Edilson Segundo/DP

O terreno familiar de quatro hectares em cima de um morro, na região mais fria de Casablanca, estava esquecido até que ele decidiu investir. “Tinha um terreno e não sabia o que fazer. Aí, decidi plantar uva e deu certo”. A princípio, toda a produção era vendida para outras vinícolas. Mas em 2014 foi fabricado o primeiro vinho La Recova. Hoje, além de exportar a bebida para o Brasil, a vinícola é famosa por receber turistas do mundo todo. “Noventa por cento das nossas visitas são de australianos, norte-americanos, canadenses, neozelandeses e europeus”, revelou. Os brasileiros ainda estão descobrindo o espaço que já tem em sua carta um vinho eleito um dos cem melhores do Chile.

Na Catrala, uma pequena vinícola boutique, que produz por ano 165 mil garrafas, o turista opta por um passeio de 1h30 ou até o dia todo. Sempre acompanhado por um guia, o turista anda pelo parreiral e faz uma inusitada caminhada pelo bosque, que desemboca em um oásis de degustação pelo vinhedo. Uma mesa montada entre a plantação recebe os visitantes para uma prova de queijos e vinho. Tudo sempre acompanhado de uma boa explicação. Aqui a diversão custa de 15 mil a 65 mil pesos (entre R$ 70 e R$ 300).

As vinícolas Estancia el Cuadro e Casas del Bosque têm uma estrutura grandiosa. Com restaurantes e parques industriais de encher os olhos, o turista também faz os mesmos passeios que as indústrias menores. Na primeira, a visita ao parreiral acontece em uma carruagem importada da França. Dois cavalos puxam o veículo pela estrada de barro enquanto a guia mostra a plantação as peculiaridades da uva. Ao fim, uma breve história da evolução da produção do vinho é contada em um museu. O turista ainda é levado para uma arena onde um típico cavaleiro chileno demostra habilidades sobre um cavalo. O preço do tour varia de 13 mil a 58 mil pesos chilenos (entre R$ 60 e R$ 270).

Em Casas del Bosque o visitante pode percorrer a vinícola de bicicleta. Foto: Edilson Segundo/DP
Em Casas del Bosque o visitante pode percorrer a vinícola de bicicleta. Foto: Edilson Segundo/DP

O inusitado na Casas del Bosque é que o visitante pode percorrer a vinícola de bicicleta. A principal atração é a Casa Mirador: um restaurante que fica localizado no alto de um morro e de onde se tem uma belíssima vista de toda a propriedade. O almoço tem quatro tempos, sempre acompanhado de vinhos. O menu degustação, como é chamado, custa 45 mil pesos (R$ 210).Cerca de 15 vinícolas fazem enoturismo na região Centro-Sul do país. As principais ficam na região do Vale de Casablanca que explora esse tipo de turismo desde 1980. Por ser um país tradicional na produção de vinho, o Chile ainda não é o lugar onde se toma mais essa bebida no mundo. O chileno toma entre 80 e 100 litros de álcool por ano. Treze litros são de vinho. O restante se divide entre cervejas, pisco e outros destilados.



Serviço:
Catrala

Estancia el Cuadro

Casas del Bosque

La Recova

Chile Travel

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.










SIGA

Facebook

Google+

Twitter

Rss