Brasil dialoga com Warhol
Recife, quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE, Paulo Marcondes entende que a expressão certa quando se trata da recepção da pop art e Andy Warhol no Brasil é o “diálogo”. “Não é puramente herança. Já havia um legado brasileiro que está relacionado aos movimentos dos anos 1950 e às rupturas com o abstracionismo. Os artista da neovanguarda brasileira dos anos 1960 evidenciam um momento extremamente importante. Primeiro, o grande legado que esses artistas vão ter diz respeito ao movimento construtivista, ao concretismo e ao neoconcretismo no Brasil”, contextualiza.
“Nessa experiência, sobretudo na experiência do Rio, vamos ter três figuras extremamente importantes como Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica. O que acontece com a experiência do anos 1960? Sobretudo a partir do golpe de estado começa uma virada muito forte que já se ensejava com o neoconcretismo que é a mudança da pintura para o objeto de arte. Nesse momento pós-64 temos a volta da figuração. O diálogo com a pop art se dá em um contexto político muito característico”.
“Em São Paulo”, continua Paulo Marcondes, “Waldemar Cordeiro vai assumir uma perspectiva que vai ser chamada de popcreto, um jogo que faz referência ao legado do concretismo, mas já incorpora o objeto na lógica pop. Ele vai adotar os objetos, mas não só ele. O poeta Augusto de Campos vai fazer com Julio Plaza poemas móbiles, poesia visual. Há também a incorporação da urbe, da cidade, do suburbano, do cotidiano. Essa nova figuração vai fazer um artista como Rubens Gerchman ter na Mona Lisa uma referência para a suburbana Mona-Lou”.
Em relação ao cinema e aos vídeos de Warhol, Marcondes ressalta a ideia de diálogo com as vanguardas brasileiras. “Encontramos esse contato nos 1970, com vídeos de Anna Bella Geiger, de Antônio Dias e a experiência de Hélio Oiticica com o Neville d'Almeida”.