A bandeira é o estandarte. O chefe de estado é a pessoa eleita para, digamos, por ordem na desordem. A duração do governo é brevíssima, começando no sábado de Zé Pereira e terminando hoje, Quarta-Feira de Cinzas. Durante o carnaval, Olinda vira sede de várias repúblicas cujo poder emana dos foliões, que transformam as casas da Cidade Alta em redutos de animação.
A Rua do Bonfim é o endereço provisório de muitas dessas repúblicas. O número 450, por exemplo, torna-se o lugar onde há mais mineiros por metro quadrado na cidade durante a folia. E não é de hoje. Desde 1982, o comerciante Evandro Salgado, 58, aproveita o carnaval na mesma residência, com um grupo de amigos. Neste ano vieram 25 pessoas, ou melhor 25 homens. “A gente não pode trazer as esposas pra não acabar com o casamento. Mas, no ano que vem, vamos fazer uma programação especial e elas poderão vir”, despistou.
E se engana quem pensa que casa alugada para muita gente é sinônimo de bagunça. Na Vulcan House, os hóspedes têm direito até a piscina - ainda que no meio da rua. Há quatro anos, o economista Vital Belfort, 27, e o engenheiro Pedro Maia, 27, resolveram convidar os amigos do Rio de Janeiro para curtir o carnaval em Olinda. De tão bem-sucedida, a ideia começou a agradar os amigos dos amigos. O resultado é que, hoje, são alugadas duas casas, uma para o lazer e outra para a hospedagem, com direito a comida e bebida, e 13 funcionários contratados. “A gente colocou a casa no facebook e aí começaram a vir conhecidos de todo lugar. Hoje, tem gente aqui de Fortaleza, Aracaju, Alemanha, Espanha e África do Sul”, disse Vital, líder da Vulcan.