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Estados temem "efeito Bahia"
Recife, quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Gravações telefônicas mostram que comando da manifestação articulou tumultos na Bahia
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Os governadores dos quatro cantos do país articulam uma reação em cadeia para evitar um apagão na segurança pública às vésperas do carnaval. Os chefes dos executivos estaduais pretendem negociar reajustes com as categorias nos próximos dias, de forma a evitar que a crise baiana se deflagre pelo resto do Brasil.

No Rio de Janeiro, que abriga o maior carnaval do Brasil, a greve pode ser decretada ainda hoje, em assembleia marcada por policiais militares e bombeiros para as 18h na Cinelândia, centro da cidade. Ontem, o dia foi de pressões e respostas. Policiais civis gaúchos entregaram telefones e viaturas. No Paraná, a paralisação será definida na semana que vem. Por meio das redes sociais e de telefonemas, lideranças articulam apagão de 24 horas, antes da folia de Momo, como forma de angariar melhorias salariais nos estados e pressionar pela aprovação da PEC 300, que institui um piso nacional para as polícias e bombeiros.

Na Bahia, a saída encontrada pelo governador Jaques Wagner (PT) foi elaborar um projeto de lei, pronto para ser encaminhado à Assembleia Legislativa, nos termos ofertados na negociação da terça-feira: reajuste de 6,5% retroativo a 1º de janeiro e pagamento de gratificação de pelo menos R$ 600, escalonados até 2015. Mas os grevistas querem receber imediatamente, o que inviabilizou o acordo.  

Além do reajuste, o maior temor dos movimentos diz respeito à penalização administrativa e criminal por terem feito greve, classificada, no caso de militares, como motim. “Aqui, no início do movimento, a Justiça declarou a paralisação ilegal. Então, no rigor da lei, eles estão cometendo crime, mas o governo já se mostrou sensível em não punir os que cruzaram os braços de forma pacífica. Quanto aos que cometeram atos de vandalismo, depredação de patrimônio público, hostilidade e insegurança das pessoas, esses não serão poupados”, destacou Saul Quadros, da Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia.

 

Saiba mais

 

Operação nos estados
Policiais e bombeiros de vários estados pressionam governadores, que se veem ameaçados com a perspectiva de uma paralisação igual ou pior que a da Bahia. Veja onde a situação está pior:

Rio Grande do Sul

Policiais civis do Departamento de Investigações Criminais entregaram ontem telefones funcionais e viaturas com defeito, no Palácio da Polícia, em Porto Alegre, como parte da Operação Cumpra-se a Lei. O governador Tarso Genro prometeu um calendário com a proposta salarial ainda este mês e pediu aos profissionais que “não percam a cabeça”. Agentes e delegados, que pleiteam aumentos até 2018, têm assembleia marcada para 7 de março. Até lá, delegacias que investigam crimes graves, como homicídios, roubos e delitos fazendários trabalharão em operação padrão.

Paraná

Com assembleia marcada para a próxima quarta-feira com possibilidade de greve, policiais civis do estado querem incorporação de todas as gratificações, além de correção dos últimos 10 anos, enquanto os militares pedem aumento do salário-base para pelo menos R$ 4,5 mil. Beto Richa, governador do Paraná, admitiu nesta semana o risco de uma “greve a qualquer momento”.

Rio  de Janeiro

Assembleia marcada para hoje poderá decidir pela paralisação de PMs e bombeiros. O governo se prepara para negociar, enquanto passa para a opinião pública a informação de que as categorias terão aumento de 36% em 2012 e 2013. Bombeiros pedem aumento do piso de R$ 1.265,55 para R$ 3,5 mil, reajuste no vale-transporte e alimentação. Militares pedem 60% de reposição salarial. 






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