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Vendas e preços gordos
Bruna Siqueira Campos brunasiqueira.pe@dabr.com.br
Recife, quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Crise internacional não reduz ânimo da indústria de chocolates para a Páscoa. Mas os ovos vão custar mais
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Aumento deve ficar entre 3% e 9%, estimam os fabricantes. Imagem: FABYANA MOTA/ON/D.A PRESS
São Paulo – Os ovos de Páscoa devem chegar ao varejo com preços entre 3% e 9% mais caros neste ano, segundo estimativas apresentadas ontem, em São Paulo, pelos principais fabricantes de chocolate do país. A grande oscilação do dólar no último semestre, além da alta de commodities como o açúcar e o cacau, assim como o custo da mão de obra no Brasil e na China, são apontados por indústrias do porte da Kraft (dona da marca Lacta), Garoto, Nestlé e Cacau Show como os principais indutores desse aumento. Ele não deve, porém, afetar o otimismo do setor, cuja expectativa é elevar as vendas em até dois dígitos.

“Será uma Páscoa gorda”, resumiu Getúlio Ursulino Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). O executivo abriu oficialmente o Salão de Páscoa 2012, evento que apresenta à imprensa os lançamentos das maiores marcas presentes no país. Para sustentar esse discurso, a indústria não se fez de rogada: colocará 90 novos produtos à venda até o dia 8 de abril, data em que cai o feriado. Os preços variam, mas o tíquete médio é de R$ 50 por consumidor.

“No ano passado tivemos um crescimento de 7%, foram mais de 18 mil toneladas de chocolates produzidas apenas para a época”, destacou Ubiracy Fonseca, vice-presidente da Abicab. De acordo com ele, o Brasil é hoje o quarto maior produtor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Embora o consumo médio ainda seja considerado baixo pelas empresas do setor (2,3 quilos per capita anuais), a expansão deste mercado foi de 39% nos últimos cinco anos. Boa parte disso graças à ascensão da nova classe média, a festejada classe C.

“O Nordeste é o nosso principal mercado hoje em dia, 30% do que produzimos vai para a região. Teremos produtos de R$ 4 até R$ 50 nesta Páscoa, mas a grande novidade são os ovos da faixa de R$ 10”, destacou André Barros, gerente executivo de marketing da Garoto. A empresa capixaba briga atualmente com a Kraft, líder nacional há 15 anos e dona de 37,5% de share, pela posição de primeiro lugar na preferência do consumidor nordestino. Este, aliás, tem chamado a atenção do setor por seu poder aquisitivo em crescimento. “Já temos a Kraft e a Arcor no Nordeste. Pernambuco é a China do Brasil”, enfatizou Ursulino Neto, lembrando a presença das fábricas de Vitória de Santo Antão e de Suape, ambas em solo pernambucano.




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