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Manifestantes, em defesa dos PMs, não se intimidam nem diante da tropa do Exército. Imagem: CHRISTOPHE SIMON/AFP |
O agravamento da tensão na Bahia provocada pela greve geral de policiais militares e a ameaça de outros estados replicarem o movimento fizeram o governo federal endurecer ainda mais as ações contra a paralisação que completa oito dias hoje. De um lado da mesa, o Palácio do Planalto já fala em ampliar o atual contingente das tropas federais no estado, atualmente em 4 mil homens. Do outro, corporações de outras partes do país tentam intensificar a reivindicação por aumento salarial ensaiando ações semelhantes. Ontem, os grevistas chegaram a entrar em confronto com o Exército durante operação que cercou a Assembleia Legislativa baiana, utilizada como bunker pelos PMs. O conflito teve tumultos, disparos de balas de borracha, bombas de efeito moral e gente machucada.
Embora a tropa federal seja a maior já encaminhada a um estado em crise, o número de homicídios chega a 93 na região metropolitana de Salvador desde o início da paralisação. A presença dos policiais federais, da Força Nacional e das Forças Armadas não foi suficiente para diminuir um dos principais problemas no estado: o vandalismo. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu rigor na identificação dos responsáveis. “Uma coisa é a reivindicação, que é um direito legítimo e constitucional. A outra é buscar o vandalismo, provocar pânico na população, o que é intolerável”, afirmou Cardozo.
A presidente Dilma Rousseff determinou ontem que o ministro faça tudo para manter a ordem na Bahia. O temor de que o movimento seja replicado pelo país é real. Na sexta-feira e no sábado, representantes de sindicatos e associações de policiais civis de vários estados se reunirão em Brasília, convocados pela Confederação Brasileira de Policiais Civis (Cobrapol). Policiais militares e civis do Rio de Janeiro farão uma assembleia na capital fluminense também na sexta. Nos dois encontros, a pauta é uma proposta de greve geral.
Carnaval em risco
A proximidade do carnaval, a festa mais importante do estado economicamente, é outro problema. Com a greve,10% dos pacotes turísticos com destino à Bahia foram cancelados, segundo Pedro Galvão, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) no estado.
A embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou alerta recomendando que cidadãos norte-americanos adiem “viagens não essenciais” à Bahia até que a situação seja normalizada.