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Intelectual da crise na luta
Paulo Carvalho
Recife, domingo, 5 de fevereiro de 2012
O pensamento e o itinerário da filósofa política alemã Hannah Arendt é destado em obra do professor brasileiro Eduardo Jardim
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Imagem: WHOAMI-WHOAREYOU.BLOGSPOT/REPRODUÇÃO DA INTERNET
Hannah Arendt (1906 - 1975) foi uma mulher em tempos sombrios e uma intelectual do recomeço. É de Arendt - filósofa política alemã, de origem judaica, refugiada na França e posteriormente nos Estados Unidos - umas das primeiras respostas à devastação da Segunda Guerra, Origens do totalitarismo (publicado em 1951, com edição definitiva em 1966). A obra é um dos testemunhos filosóficos mais ricos sobre o fenômeno político mais marcante do século 20, assim como um forte sopro intelectual dirigido contra um “mundo” em ruína, paralisado pela banalidade do mal em sua máxima expressão.

 O recém lançado Hannah Arendt - Pensadora da crise e de um novo início (Civilização Brasileira, 160 páginas, R$ 29,90), do professor de Filosofia da PUC-Rio, Eduardo Jardim, oferece uma interessante introdução a obras fundamentais do pensamento de Arendt, abordando seu itinerário intelectual (e pessoal) em três seções. A primeira delas volta-se às pesquisas dos anos 1940, sobre a origens do totalitarismo, em que Arendt propõe uma leitura diferente da corrente em sua época. Para a autora do já citado Origens do totalitarismo, os regimes de Hitler e Stalin não eram formas radicais de autoritarismos ou de ditaduras, mas significaram a ruptura com formas políticas tradicionais e a expressão máxima da falência da autoridade política em curso na modernidade.

 Nas seções seguintes, Jardim ocupa-se da teoria política e da reflexão sobre a vida do espírito, que vincula as atividades de pensar, querer e julgar. “Ao apresentar a visão de Hannah Arendt da política, segui sua sugestão de começar pelo questionamento do preconceito atual contra tudo que é de natureza pública e plural”, sugere Jardim. A teoria da ação de Arendt, exposta em A condição humana (1958), influenciaria pensadores tão distintos como Jürgen Habermas e Giorgio Agamben, tomando a ação como uma atividade que não se confunde com nenhuma outra (e politicamente antípoda da “produção” fabril). A ação supõe a natureza plural do agir, argumentaria Arendt.

Por fim, a leitura de Jardim volta-se a temas presentes em A vida do espírito e Lições sobra a filosofia política de Kant, publicados após a morte da filósofa. Trata-se de uma reflexão (originada no julgamento de Eichmann, em Jerusalém) sobre a incapacidade de pensar e julgar, e sobre o problema do mal.

A pertinente obra de Jardim confirma a certeza que o século desta pensadora foi um século de irreflexão e que sua obra escova a contrapelo as repetições de “verdades” vazias, triviais, assim como a racionalidade dos homens-burocratas com pouca capacidade de pensar sobre o que, afinal, estavam fazendo neste “mundo”.





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