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Maria Eduarda e Rafael reclamam do volume que têm que carregar. Questão preocupa a mãe deles, Fabiana. Imagem: BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS |
Nas costas, o peso das lições de todo o ano letivo. Dois, três livros, cadernos de 10, 12 matérias, estojo, agenda… tudo dentro da mochila. Os médicos recomendam que a bolsa não pese mais que 10% do peso corporal do aluno. Nessa lógica, uma criança com 30 kg não deveria carregar mais de 3 kg nas costas. Às vezes, no entanto, a própria mochila vazia pesa mais de 0,5 kg. Quando a escola adota livros grossos, então, o cálculo fica só na teoria. Resultado da equação? Dor e, por vezes, queda no desempenho escolar.
Para evitar problemas, algumas dicas devem ser seguidas. As recomendações do médico Rodrigo Castro, especialista em coluna, que trabalha no Hospital Getúlio Vargas e no Grupo de Ortopedia e Traumatologia (GOT), são específicas para cada faixa etária. Aos 4, 5 anos, o ideal é que a criança utilize apenas a lancheira e, se necesário, uma bolsa com rodinhas para carregar o material escolar. Aos 6, 7 anos, ainda é preferível usar uma bolsa com carrinho, mas já é possível levar uma mochila nas costas, desde que sem muito peso. Aos 12, 13 anos, a mochila está liberada, caso atenda a regra dos 10%. Mas não basta observar o peso da mochila.
Para prevenir as dores, é preciso prestar atenção à forma como a bolsa é usada, a começar pelo tamanho, que não deve ser maior que o comprimento do tronco da criança. “O apoio deve ser feito no dorso e não na lombar”, afirmou Rodrigo Castro. As alças também precisam estar bem ajustadas para que a bolsa fique rente à altura dos ombros. “Se não, pode haver sobrecarga da região do pescoço, causando dor no trapézio, que pode irradiar pelo braço ou causar dor de cabeça”, disse.
Há tempos, Rafael de Victor Marques, 10, reclama do peso da mochila. Na escola onde ele estuda, a maioria dos livros ficam no colégio, o que ajuda, mas não resolve o problema. Afinal, todos os dias ele precisa levar para casa livros para estudar e fazer a tarefa. São dois ou três em média, além do caderno de 10 matérias. “Ele reclama muito, mas não quer bolsa com rodinha porque o prédio da escola tem escadas”, disse a mãe, a bancária Fabiana Agra de Victor Marques, 40. A irmã de Rafael, Maria Eduarda, 8, também carrega uma mochila pesada, mas como a sala onde ela assiste as aulas fica no térreo, a menina usa uma bolsa com rodinhas.
Ao contrário do que muitos pensam, o peso da mochila não pode provocar deformidades na coluna, como a escoliose, ressaltou o médico Rodrigo Castro. A dor muscular é o principal problema, o que não é pouco. “Ela pode causar dor de cabeça, a família procurar um oftalmologista e não resolver o problema. E, sem conseguir se concentrar por causa da dor, o aluno pode ter o rendimento escolar prejudicado”, afirmou.
Postura curvada
A pedagoga Telma Pontes lembra de um passado recente em que a filha Ana Beatriz andava curvada por causa da mochila. A garota fez 12 anos e resolveu mudar de bolsa. Neste ano, escolheu uma de um ombro só e acredita que isso trará alívio. Segundo os médicos, porém, ela está sobrecarregando demais um lado só. “O ideal é usar rodinhas. E se for usar bolsa, que seja nos dois ombros”, disse o médico Cláudio Marques. A menina diz que não vai carregar o material só na bolsa, mas nos braços também, para equilibrar. Como a menina tem armário individual na escola, a mãe resolveu esperar e observar. “Se a criança sentir dor, o ideal é procurar um ortopedista, ao invés de dar uma medicação”, diz Cláudio Marques. A dica serve para Ana Beatriz e todas as outras crianças que carregam mochilas e bolsas pesadas. (Juliana Colares)