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Material coletado foi exposto e explicado pelos estudantes. Imagem: ALICE SOUZA/ESP DP/D.A PRESS |
Lucas Aberlardo Catão, 16 anos, é um apaixonado pela astronomia. Desde criança, observa as estrelas e tenta desvendar os mistérios do Universo. Este ano, depois de muita espera, ele passou de observador a pesquisador dos fenômenos físicos e geográficos que acontecem além da atmosfera terrestre. Lucas faz parte de um grupo de 50 alunos do Ginásio Pernambucano que pesquisa a formação das paleolagoas em Pernambuco - lagoas formadas com a queda dos meteoritos na Terra.
Muito além do que a imaginação de Lucas alcançava e do que ele via com o telescópio. É assim que ele define as crateras pesquisadas. Sob a supervisão do doutor em tecnologia ambiental e recursos hídricos que coordena o estudo, Pierson Barreto, ele e os amigos visitaram a cratera da Panela e a Lagoa de Santa Luzia, em Santa Cruz da Baixa Verde, Sertão do estado, além da cratera do Cajueiro, em Paudalho, e as lagoas da Cruz e do Lunardo, em Manaíra, na Paraíba.
Os locais podem ter sido formados há 13 mil anos, durante a mudança do pleistoceno, conhecido como Era do Gelo, para o holoceno, período em que vivemos agora. “Essa é uma hipótese que estamos investigando desde 1995 e que ganhou força em 2009, quando a cratera da Panela foi identificada como provável cratera de impacto”, explicou Pierson Barreto.
Foram seis meses de preparação teórica para que os estudantes pudessem reconhecer os impactitos, rochas fundidas pela alta temperatura e pressão do impacto. Durante as visitas, os estudantes coletaram material a partir de características como as brechas que ficam entre as rochas e os tecnitos (cortes feitos nas formações rochosas com o choque). “Descartamos a possibilidade de as lagoas visitadas serem formadas por outros acidentes geográficos. Em Panelas mesmo, existem barreiras cheias de granito. Até os cercados das casas ao redor são formados por pedras”, disse o aluno Abne Quintino, 16.
Para verificar se o material encontrado nas lagoas poderia ser do choque do meteorito com a Terra, os alunos utilizaram os aspectos morfológico, estrutural, mineralógico e químico. “Fomos a primeira turma a ir ao local e fazer a coleta das pedras. É incrível, pois você imagina que essas coisas só existem no exterior. Queremos colocar o estado como uma rota de pesquisa sobre queda de meteoritos”, contou Lucas.
De acordo com o professor de física Josivan do Nascimento, participante da pesquisa, muitas crateras ficam camufladas, o que impede a identificação. “As nossas ficam escondidas pela vegetação e pela água, dando a falsa impressão de que esses impactos não aconteceram aqui também”, explicou.
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