Gilles Deleuze: o filósofo da imanência
Andréa C. Botelho / Psicóloga da Clínica do Luto
Recife, sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Em 18 de janeiro de 1925, em Paris, nasceu Gilles Deleuze, considerado o filósofo da imanência. Em novembro último, foram comemorados os 16 anos do seu falecimento. Junto com filósofo Michel Foucault, Gilles Deleuze foi apontado como um dos dois responsáveis pelo renascimento do interesse pelo trabalho de Frederick Nietzsche. Conheceu e trabalhou com o psicanalista Félix Guattari, com quem teve uma relação de colaboração em trabalhos comuns.
Deleuze morreu em Paris, em 4 de novembro de 1995, aos 70 anos, após ter deixado de sua máscara de oxigênio, a qual vivia preso, e lançado-se da janela de seu apartamento. Considerava sua doença como uma morte em vida. Para muitos, o seu suicídio não deveria ser visto como algo negativo ou destrutivo. Pouco antes de precipitar-se voluntariamente para a morte, Deleuze falava de vida:
“vida de pura imanência, neutra, para além do bem e do mal, pois que apenas o sujeito que a encarnava no meio das coisas a tornava boa ou má”.
Gilles Deleuze viveu 70 anos. Lembro-me do quanto o seu nome era comentado nos bancos de minha faculdade. Especialmente no mestrado, quando seu nome era quase sempre associado ao do psicanalista e filósofo Félix Guattarri, pela professora Ana Lúcia Francisco – fã de ambos os filósofos.
O ato de Deleuze deixar a máscara de oxigênio foi um gesto considerado libertário, para muitos que conheciam Deleuze e sabiam o quanto a saúde era importante para ele. Segundo seus biógrafos, Deleuze não aceitava doença. O que o tornava singular era a filosofia e as reflexões que ela lhe proporcionava. Não poder continuar dando prosseguimento aos seus estudos, por causa de sua doença, fez com que ele, desesperadamente, pusesse cabo à vida. Sem a filosofia, para ele, estava tudo acabado.
Entretanto, pouco antes de seu suicídio, Deleuze falava-nos exatamente sobre vida: “vida de pura imanência, neutra, para além do bem e do mal, pois que apenas o sujeito que a encarnava no meio das coisas tornava-a boa ou má”.