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Imagem: SILVINO/DP |
Vêm aí as operadoras móveis virtuais. Elas não têm rede nem frequência próprias, utilizam a rede de outras operadoras e compram minutos, SMS e dados no atacado. Uma novidade que deve mexer com esse mercado que no país é dominado pela Claro, Oi, TIM e Vivo. Estima-se que a taxa de migração fique em torno de 5% já em 2012, ou cerca de 14 milhões de clientes, atingindo segmentos específicos que as operadoras “reais” não conseguem atender ou atendem mal.
O regulamento dos Serviços Móveis por meio de Rede Virtual, ou Mobile Virtual Network Operator (MVNO) foi aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em novembro de 2010. Em agosto deste ano, a agência aprovou as duas primeiras autorizações de prestação do SMP por meio de MVNOs em todo o território nacional – Datora Telecom e Porto Seguro Telecomunicações. De acordo com a Anatel, outras duas solicitações estão sendo analisadas.
“As MVNOs estão se estruturando no Brasil. Algumas já estão treinando pessoal e planejando seu portfólio de produtos e serviços”, diz o diretor de tecnologia da Bichara Tecnologia, Daniel Bichara. A Bichara fornece equipamentos para as enablers, empresas que fazem a interface entre as MVNOs e as operadoras reais. Está sendo preparado um lançamento para o próximo semestre (logo após o carnaval) e outros três para o segundo semestre de 2012.
Os lançamentos serão nacionais. No caso da Porto Seguro Telecomunicações, a seguradora oferecerá o serviço em parceria com a operadora TIM e com a enabler Datora Telecom. A TIM fornecerá as antenas e a Datora ficará responsável pela operação, gestão de tráfego, emissão de contas e acordos de interconexões. A Porto Seguro ficará responsável apenas pelo atendimento a clientes.
“É assim que funciona em todo o mundo e tem dado muito certo. É fato que as grandes operadoras não conseguem atender bem seus clientes, tratados como meros assinantes. Basta pensarmos nos call centers congestionados. Fora isso tem a especificidade de cada público que a grande não consegue enxergar”, comenta Daniel Bichara.
As MVNOs surgiram na Europa há cerca de dez anos e costumam ser operadoras pequenas. A maior delas, a Tesco, uma grande rede varejista inglesa, tem cerca de cinco milhões de clientes. A Vivo, por exemplo, tem 68 milhões. Não a toa, redes como Carrefour e Pão de Açúcar já anunciaram que analisam a possibilidade de se tornarem MVNOs. Alguns bancos e os Correios também estão nessa lista.