Diario de Pernambuco

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Novos abatedouros
Recife, sábado, 15 de outubro de 2011
Após série do Diario que escancarou a péssima situação dos matadouros, governo anuncia investimenos
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Manuseio das carnes bovinas apresenta péssimas condições de higiene atualmente.
Imagem: TERESA MAIA/DP/D.A.PRESS
Buscando reverter a situação alarmante do processo de abate, transporte e comercialização de carnes em Pernambuco, evidenciada entre os dias 4 e 6 de outubro na série A carne que comemos, do Diario de Pernambuco, o secretário de Agricultura e Reforma Agrária, Ranilson Ramos, reuniu-se com representantes de sete municípios para formalizar a construção do abatedouro regional de São Joaquim do Monte, no Agreste. Em janeiro, o edital de licitação deve ficar pronto, e a obra executada no primeiro semestre de 2012. O novo abatedouro deverá suprir a demanda de 2 mil animais por mês de nove cidades, incluindo Bonito, onde a separação das vísceras era feita junto com as fezes contidas no intestino do animal.

Dos sete representantes presentes na reunião, cinco confirmaram informalmente que irão aderir ao projeto, até então um dos pontos questionados pelos marchantes (proprietários dos animais) como entrave para a instalação dos abatedouros regionais em substituição aos municipais. Segunda-feira, um ofício será enviado às prefeituras para formalizar a adesão. “Precisamos encontrar uma forma de resolver o problema do abastecimento, mas não podemos resolver a questão construindo matadouros em cada um dos 184 municípios”, afirmou Ranilson Ramos, que disse ter sentido uma aceitação maior por parte dos prefeitos. “Eles não têm condição de arcar com os custos de manutenção dos abatedouros”, comentou.

Segundo ele, de 40 a 45 abatedouros regionais serão construídos para suprir a necessidade de consumo e sanar as irregularidades expostas no Diario, como carnes cortadas no chão, colocadas em locais enferrujados, próximas a objetos de uso pessoal dos funcionários e em contato com os dejetos do boi. Dos oito que estão sendo construídos ou adaptados nas matas Norte e Sul, os de Barreiros, Palmares e Paudalho já estão funcionando. Os de Ribeirão, Quipapá, Itambé, Catende e Escada passarão por adequações de infraestrutura para atender à legislação do Ministério da Agricultura e da Vigilância Sanitária. “Estamos atuando em 29 municípios em relação a abatedouros. Na próxima quarta-feira, iremos entregar o de Iati e ainda este mês o de Gravatá”, afirmou o secretário.

Estão sendo investidos R$ 8 milhões de uma parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia e R$ 10 milhões de recursos da própria secretaria. Paralelamente à construção e adequação do abatedouros regionais, serão feitas melhorias nos mercados públicos de carne. Ontem também foi assinado o convênio para instalação de uma câmara frigorífica em Bonito, destinada ao resfriamento de carne bovina oriunda dos animais abatidos lá. Serão investidos R$ 71,7 mil na obra, mais R$ 135 mil para cobrir a central de abastecimento da cidade. Além disso, as pessoas que trabalham nos matadouros serão capacitadas.

Saiba mais

Novo abatedouro regional em São Joaquim do Monte

Vai atender

Bonito, Agrestina, Altinho, Barra de Guabiraba, Camocim de São Felix, Sairé e Cupira
Demanda mensal desses municípios:
2 mil animais
40 a 45 abatedouros regionais devem ser criados ou adaptados para atender às necessidades estaduais
8 estão sendo construídos nas matas Norte e Sul
3 já estão funcionando: Barreiros e Palmares (Mata Sul) e Paudalho (Mata Norte)

Cronograma:

Ribeirão, Itambé e Quipapá deverão ser os próximos abatedouros a entrarem em funcionamento
Este mês, serão entregues os de Gravatá e Iati
Em novembro, os de Trindade, Afogados da Ingazeira, Ibimirim e Lagoa Grande
Escada e Catende devem ser as próximas cidade a sofrerem intervenção nos abatedouros

Investimentos:

R$ 8 milhões estão sendo investidos com recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia
R$ 10 milhões com recursos da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Sara)
R$ 71,7 mil é o valor investido na instalação de uma câmara frigorífica em Bonito
R$ 135 mil serão investidos para cobrir a central de abastecimento de Bonito
R$ 80 mil a R$ 90 mil é o gasto mensal de manutenção de cada matadouro municipal

A realidade:


Dos 156 matadouros existentes no estado,
83% não dispõem de condições mínimas de funcionamento
70% não tratam água
21% estão localizados em área rural, como exige a legislação
77% tem inspeção sanitária
67% não possuem pessoal qualificado
60% não possuem água da Compesa






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