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Foto do sociólogo Gilberto Freyre é um dos 11 mil itens
recuperados desde abril. Imagem: ARQUIVO PÚBLICO DE PERNAMBUCO |
Com a consciência de que a memória de uma cidade e de um país é formada também por fragmentos individuais, o jornalista, escritor e poeta Mauro Mota doou fotografias de seu acervo pessoal ao Arquivo Público de Pernambuco, de onde foi diretor entre 1972 e 1985. Os registros variam de encontros diplomáticos a momentos descontraídos, como um em que aparece com outros dois rapazes (na juventude) em trajes de banho. Todos podem ser consultados para fins de pesquisa.
Gilberto Freyre, Marco Maciel, José Sarney e Juscelino Kubitschek são alguns dos que aparecem nas fotografias. Além delas, há ainda uma inusitada coleção de santinhos de pessoas próximas, como o dramaturgo Valdemar de Oliveira e o ex-presidente Kubitschek.
Estas e outras imagens do acervo do Arquivo Público de Pernambuco são o foco do projeto de higienização, digitalização, identificação e catalogação das fotografias Catalogação do Acervo Iconográfico do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. As atividades começaram em abril, sob coordenação da professora da UFPE Marília de Azambuja Ribeiro e supervisão técnica de Taciana Medonça Santos, funcionária do Arquivo.
São cerca de 11 mil itens, divididos em seis fundos: Comemorações do tricentenário da Restauração de Pernambuco; Jordão Emerenciano; Mauro Mota; Secretaria de Educação e Proteção ao Menor; Secretaria de Obras Públicas e Meio Ambiente e Secretaria de Agricultura e Pecuária. Os registros datam do início do século 20 e têm grande valor histórico. Retratam aspectos da estrutura geográfica do Recife e encontros políticos e diplomáticos da época.
As fotos mais interessantes para o público serão reunidas em um blog, ainda sem previsão de lançamento. Ao final do processo, será criado um site com as referências das fotografias, para que possam ser consultadas pela população. Todas serão disponibilizadas gratuitamente - diferentemente da prática de várias instituições, inclusive públicas. Existe ainda a proposta de uma exposição na sede do Arquivo, quando o projeto terminar.
A limpeza já foi feita e a digitalização da maioria delas, concluída. A etapa atual é a mais difícil: identificar as situações e pessoas retratadas nas imagens. “Tem uma, por exemplo, com três moças e a identificação é: celebridades”, conta Lucas Holanda, um dos historiadores responsáveis pelo projeto.
No caso de Mauro Mota e de Jordão Emerenciano, que foram presidentes do Arquivo Público, muitas estão identificadas, principalmente as institucionais. Já o acervo pessoal doado à instituição carece de legendas, mas as famílias serão consultadas para ajudar a identificar os personagens. O historiador Thiago Calabria diz que o “resultado final será disponibilizado ao público daqui a dois anos”.