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Teste do pezinho esquecido pelos pais
Edição de quarta-feira, 6 de abril de 2011 
A Secretaria Estadual de Saúde está convocando os responsáveis a pegarem o resultado dos exames dos bebês



O choro é de dar dó, mas logo passa. Um furinho no calcanhar, algumas gotinhas de sangue e basta. É o suficiente para a realização da triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho. O exame, que deve ser feito nos primeiros dias de vida do recém-nascido, é importante para identificar doenças que podem, inclusive, comprometer o sistema nervoso central e provocar retardos mentais. Obrigatório no país desde 1992 graças a uma lei federal, em Pernambuco o teste é realizado em 191 postos de coleta espalhados pelo estado, sendo sete no Recife. Mas tem muita mãe que sequer vai buscar o resultado.

Nas unidades estaduais, há exames do ano 2000. Muitas vezes amarelados, eles se acumulam em pastas e mais pastas. No Hospital Agamenon Magalhães (HAM), há 22 delas. São tantos exames, datados desde 2002, que as funcionárias do setor sequer conseguem contar quantos são. E não adianta nada fazer o exame e não saber o resultado. Em função desse esquecimento, a Secretaria Estadual de Saúde está convocando os responsáveis a irem buscar os resultados. ´As pastas estão lotadas. A gente fica apertando para caber mais`, disse a técnica de enfermagem que realiza a coleta do teste no HAM, Sara Maria dos Santos.

A consequência disso só não é tão grave porque os exames ´esquecidos` são os que não apresentam alterações que indiquem a presença de doença na criança. Quando o resultado dá positivo para qualquer dos testes, o Laboratório Central do estado envia o resultado para o Hospital Barão de Lucena, serviço de referência no assunto. De acordo com a endocrinologista e coordenadora do Serviço de Referência em Triagem Neonatal da Secretaria Estadual de Saúde, Pérola Ayres, o bebê passa por um exame clínico e outros testes para que se possa confirmar ou descartar o diagnóstico.

O exame na rede estadual de Pernambuco permite a triagem de três doenças: hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria e anemia falciforme (ver quadro). Nos laboratórios privados, no entanto, o teste permite a identificação de mais de 30 doenças.

Juvânia Cavalcanti, 34, deu à luz ao seu segundo bebê no último dia 26. Ainda internada por causa de uma infecção bacteriana, Vanessa Cavalcanti foi submetida ao teste do pezinho ontem, com 10 dias de nascida. ´Dá uma pena quando vai furar o pezinho`, disse Juvânia, que não se esquivou do exame. Antes da conversa com a técnica de enfermagem que faz a coleta, ela não sabia que doenças podiam ser diagnosticadas na triagem. ´Se tiver algum problema, já vamos prevenir no começo`, disse. Lição dada.



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