Edição de terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Com e reeleição de Messi, pela primeira vez desde 1994 o melhor não ganhou o Mundial. Pentacampeã, Marta amplia recorde
Na história da Bola de Ouro Fifa, como o prêmio passou a ser chamado a partir de 2010 - com a unificação dos prêmios entregues pela entidade máxima do futebol e a revista France Football -, cinco jogadores foram tricampeões de forma consecutiva ou alternada. Zidane, Ronaldo, Cruyff, Van Basten e Platini. Aos 23 anos, o argentino Lionel Messi está a caminho de superar o quinteto. Na temporada 2010/11, só o português Cristiano Ronaldo tem jogado tanta bola no Real Madrid, a ponto de ameaçar o virtual terceiro mandato do craque eleito ontem pela segunda vez o número 1.
Messi pulverizou o heroísmo de Xavi e Iniesta na conquista do título mundial da Espanha com seus 43 gols em 49 exibições em 2009/10. A diversão, a arte e o carisma do jogador de 1,69m também fizeram os 154 jornalistas, os técnicos e os capitães das 208 seleções filiadas à Fifa virarem as costas para a produtividade na África do Sul.
Sem nem um gol, Messi caiu com a Argentina nas quartas de final. Os jurados não deram bola e quebraram a escrita segundo a qual em ano de Copa, o melhor do mundo vem da seleção campeã. Era assim desde 1994, com Romário, Zidane, Ronaldo e Cannavaro. Era. Xavi foi o maestro da Espanha na Copa. E daí? Iniesta marcou o gol do título da Fúria na decisão contra a Holanda. Parabéns, mas eles não marcaram quatro gols em um só jogo diante do Arsenal, da Inglaterra, nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. Um deles uma obra-prima, a ponto de o técnico francês Arsene Wenger defini-lo como ´jogador de playstation` após o show no Camp Nou.
A coroação de Messi é justa, mas tem um recadinho nas entrelinhas para o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Os clubes são cada vez mais importantes do que as seleções administradas pela entidade. Aos poucos, a Liga dos Campeões atinge o mesmo status da Copa do Mundo. Quer mais uma prova disso? Vicente del Bosque levou a Espanha ao título, mas o melhor técnico do ano é José Mourinho, campeão continental, italiano e da Copa da Itália com a Internazionale.
Marta
Na eleição feminina, a alagoana Marta - chamada carinhosamente no Brasil de Pelé de saia - salvou literalmente a pátria. Pelo terceiro ano consecutivo os homens do país da bola não terminaram nem os três no pleito masculino. Depois de levar o FC Gold Pride ao título da Liga Norte-Americana e a Seleção Brasileira ao pódio no Campeonato Sul-Americano, a atacante emprestada ao Santos superou mais uma vez concorrentes alemãs - a freguesa Birgit Prinz e Fatmire Bajrama.
No ano em que o Brasil fracassou na Copa do Mundo da África do Sul, salvaram-se dois. O lateral Maicon e o zagueiro Lúcio entraram na seleção ideal de 2010. Nem a obra-prima assinada por Neymar na partida contra o Santo André, pelo Campeonato Paulista, seduziu a crítica. O turco Hamit Altintop faturou o prêmio Puskas, entregue ao autor o gol mais bonito do ano.
Único
Na história da Bola de Ouro, apenas um jogador conseguiu ser tricampeão consecutivo. O francês Michel Platini levou o prêmio de 1983 a 1985. Messi tentará alcançar o feito em 2011.
Ameaça
Cristiano Ronaldo lidera a artilharia do Campeonato Espanhol com 22 gols, contra 18 de Messi. Na Liga dos Campeões, Messi contabiliza seis, contra quatro do português. Na temporada inteira, o lusitano tem 30 gols - incluídos os na Copa do Rei - contra 25 do atual número 1.
O voto deles
Mano Menezes
Melhor jogador do mundo: Messi
Melhor técnico do mundo: José Mourinho
Robinho
Melhor jogador do mundo: Messi
Melhor técnico do mundo: José Mourinho