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Unicef combate o racismo
Edição de sábado, 11 de dezembro de 2010 
Campanha nacional foi lançada ontem em Pernambuco, cujos indicadores são preocupantes


Os adolescentes negros têm sete vezes mais chances de serem assassinados do que os brancos em Pernambuco. No Brasil, essa proporção é de 2,6 vezes maior. E os números tornam-se alarmantes, sobretudo, quando o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que 1,7 milhão (ou 62,3%) das crianças do estado são negras. E mais. Das 1,9 milhão de crianças pobres que vivem no estado, aproximadamente 1,2 milhão são negras. Os dados foram expostos ontem durante o lançamento da Campanha Nacional Contra o Racismo, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), na Rua do Imperador.

O coordenador do Unicef no estado, Salvador Soler, afirmou que, apesar de os indicadores sociais para os negros ainda serem bastante insatisfatórios, o Brasil está conseguindo, aos poucos, mudar essa situação. ´Quando vemos a história em si, podemos observar uma melhora sobretudo nos últimos anos. Porém ainda podemos melhorar muito mais. E temos três caminhos para chegar lá: através dafamília e da cultura; das escolas, do esporte e de políticas públicas`, explicou Salvador.

Mais de 30 instituições parceiras cujas atividades são firmadas no combate às desigualdades raciais e sociais no estado também participaram do lançamento da campanha. Na ocasião, foram discutidas ações e experiências para eliminar atitudes discriminatórias e colaborar para a afirmação das identidades das crianças. A pequena Jamily do Carmo, 11 anos, já sofreu discriminação. Integrante do camdomblé Nação Nagu, a menina sofreu preconceito dos meninos na escola. ´Fui para o maracatu e três dias depois um menino me chamou de macumbeira e 'xangozeira' na escola. Sei que eu não sou nada disso`, disse a garota.

Em contrapartida, o convívio entre crianças de três raças no mesmo maracatu de Jamily mostrou que o futuro tende a ser diferente. Amanda Lima, 7 anos, branca; Jhonata da Silva, 9, descendente de índio; e Wellisson Muniz, 9, negro. Eles são amigos, apresentam-se juntos. ´A gente brinca, toca junto e tudo mais. Não tem problema não`, falou Jhonata.



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