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Boehner, o anti-Obama
EUA // Republicano cotado para comandar a nova Câmara promete jogo duro com o presidente
Isabel Fleck
isabelfleck.df@dabr.com.br


Brasília - Nem bem a apuração terminou e o deputado republicano John Boehner já se posicionou no canto do ringue oposto ao do presidente Barack Obama, do Partido Democrata. Provável sucessor da democrata Nancy Pelosi na presidência da Câmara, Boehner é visto como a principal voz da oposição a partir de agora e demonstrou que não pretende adotar um tom cordial com o presidente dos Estados Unidos. Com a certeza de quem está iniciando a melhor fase da carreira política, o líder da oposição ergueu a voz para criticar a "monstruosa" reforma do sistema de saúde promovida por Obama. Mas, em seu discurso da vitória, Boehner não conteve as lágrimas - o choro já virou marca registrada daquele que, nos próximos dois anos, será o terceiro na linha de sucessão da Casa Branca.


Boehner discursa após a vitória: republicanos revivem a euforia dos anos 1990, quando enquadraram Clinton Foto: Kevin Wolf/AP

Ontem, ele divulgou um documento no qual apresenta os "pilares da nova maioria": menos "impostos matadores de empregos", menos regulamentação estatal, revogação da reforma da saúde, diminuição dos gastos públicos e reforma do Congresso.

Às vésperas de completar 61 anos, 20 deles passados na Câmara, em Washington, o deputado por Ohio é tido como um líder preparado, mas sua proximidade com lobistas poderosos causa preocupação. De acordo com o jornal The New York Times, Boehner está ligado a algumas das maiores empresas e corporações norte-americanas, como Citigroup, Goldman Sachs, Google e UPS. Também mantém relações estreitas com lobistas das indústrias farmacêutica e de cigarros, além de pessoas ligadas a planos de saúde e ao setor de energia. "Eles (os lobistas) contribuíram com centenas de milhares de dólares para suas campanhas, ofereceram a ele viagens em aviões corporativos, o convidaram para resorts de golfe luxuosos e festanças à beira-mar", afirma o Times, que levantou os benefícios oferecidos a Boehner nos últimos anos: ao menos 45 viagens - muitas delas na companhia da mulher - entre 2000 e 2007 e 41 temporadas em resorts de golfe.

Paixões - O esporte é a única paixão conhecida do republicano, casado há37 anos com Debbie Gunlack e pai duas filhas, Lindsay e Tricia. De sua vida pessoal, os únicos detalhes que Boehner faz questão de revelar são sobre a infância pobre em Ohio. Segundo dos 12 filhos de Earl e Mary Anne Boehner, o deputado já lembrou por diversas vezes, em discursos, as dificuldades que a família passou quando vivia em uma casa com dois quartos e um banheiro, nos arredores de Cincinnati, sudoeste do estado. Aos 8 anos, ele começou a trabalhar limpando o chão no bar da família. Na juventude, escapou de servir à Marinha durante a Guerra do Vietnã por razões médicas, e foi o primeiro dos irmãos a cursar ensino superior. Formou-se em administração na Universidade Xavier, em sua cidade natal.

A paixão pela política veio só aos 30 anos, quando Boehner foi eleito deputado estadual em Ohio. Seu caminho depois foi naturalmente para Washington, aonde chegou em 1991, para ser reeleito nove vezes deputado federal. Da atuação na Câmara, guarda a lembrança de um período áureo, quando integrou a chamada Ganguedos Sete, que levou ao fechamento do Banco da Câmara após um escândalo que envolveu cerca de 450 deputados.

Integrante do grupo republicano que impôs uma grande derrota ao governo de Bill Clinton no Congresso, em 1994, Boehner parece ter aprendido a lição com o então líder Newt Gingrich, que presidiu a Câmara entre 1995 e 1999. Na época, Gingrich e o então líder republicano no Senado, Bob Dole, deixaram que as próprias aspirações colocassem em risco a união do partido no Capitólio, abrindo caminho para a reeleição de Clinton, em 1996. Desde já, Boehner tem se colocado próximo ao senador Mitch McConnell, do Kentucky, que deverá continuar como líder do partido na casa.


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Edição de sexta-feira, 5 de novembro de 2010 
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