Em entrevista ao Diário de Natal/Diario, o delegado Ronaldo Gomes revelou que o advogado de defesa de "Dão" chegou a sugerir a delação premiada, benefício que pode ser concedido ao réu caso ele colabore com a investigação. Mas a condição foi descartada. O promotor Geraldo Rufino, que está acompanhando o caso, disse que a delação premiada só é concedida em casos em que o denunciante cita o envolvimento de organizações criminosas. "Como até agora ele traz uma versão de que matou por motivo pessoal, sem envolver ninguém, o benefício não se encaixa", disse o representante do Ministério Público. "Se, ao longo do inquérito, ele resolver contar outra versão ou detalhe que envolva um grupo, aí será diferente".
Ainda de acordo com o promotor, o advogado de "Dão" está acompanhando o cliente desde a primeira vez em que foi preso, horas depois do crime, pela Polícia Militar. "Quando saiu de casa detido, já foi acompanhado da defesa, que também passou o dia com o acusado ontem". Rufino confirmou que a família de F. Gomesdisse à polícia que, pelas características, "Dão" seria o executor do homicídio. Ele estava sozinho na moto na noite da segunda-feira, quando efetuou os disparos. "Elucidar o crime é uma prioridade para todo mundo em Caicó, do prefeito ao gari", concluiu.
João Francisco dos Santos assumiu, em depoimento na tarde da última terça- feira, ter sido ele quem chegou na moto preta, na porta da casa de F. Gomes, e disparou cinco tiros de revólver calibre 38 contra o jornalista. O crime aconteceu na noite da segunda-feira, por volta das 21h30. O acusado teria executado a vítima devido às denúncias que o comunicador fazia sobre o envolvimento de "Dão" com o tráfico.
Poucas horas após o assassinato, João Francisco foi preso, com ajuda de denúncias da população. Ao ser conduzido à delegacia, foi liberado por falta de indícios, segundo o delegado de Caicó, George David.