Brasília - O horário eleitoral do segundo turno que terá início hoje, às 13h, trará uma Dilma Rousseff (PT) com mais propostas à militância petista, e um José Serra (PSDB) encarando o desafio de atacar a adversária sem parecer agressivo. As estratégias dos dois candidatos à Presidência da República foi traçada depois de ouvidos assessores e aliados. Em ambos os casos, houve críticas ao tom dos programas feitos no primeiro turno pelos marqueteiros João Santana, pelo lado petista, e Luiz González, pelo tucano.
A partir de hoje, os candidatos terão programas diários de 10 minutos, das 13h às 20h30 na TV, e às 7h e ao meio-dia, no rádio. Além disso, cada um terá sete minutos e 30 segundos de inserções de até meio minuto, a serem distribuídas pelas emissoras ao longo da programação diária. Ao contrário do primeiro turno, a propaganda vai ao ar inclusive aos domingos. Até a despedida do rádio e da tevê, em 29 de outubro, cada um ficará 165 minutos no ar. Em comum, Dilma e Serradiscutem com suas equipes a necessidade de promover mudanças no conteúdo dos programas.
No lado petista, a avaliação é de que, na reta final do primeiro turno, os programas foram esteticamente perfeitos, mas com texto rebuscado e pouco emotivo. O próprio presidente Lula pediu trouxesse mais propostas e principalmente dialogasse com a militância petista. Dilma deve aproveitar o horário para se defender indiretamente da polêmica referente à descriminalização do aborto. "Vamos confrontar propostas e principalmente a postura das duas candidaturas. Vamos mostrar que nosso adversário partiu para a política das calúnias, transformou uma eleição à Presidência em uma discussão sobre aborto, que é tema a ser decidido e debatido no Congresso Nacional, não no Palácio do Planalto", afirma o presidente petista, José Eduardo Dutra.
Entre os aliados tucanos, também há a pressão para que Serra aumente o tom das críticas a Dilma. Durante a reunião que deu início ao segundo turno para os serristas, vários políticos aliados, como os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE), pediram mais combate ao presidenciável.